Terceira colocada nas pesquisas prévias às eleições presidenciais de 2018, Marina Silva deve mesmo se candidatar defendendo a Rede. Será a sua terceira eleição seguida e ela vem na "cola" do deputado federal Jair Bolsonaro [VIDEO], estando tecnicamente empatada com ele nos levantamentos já feitos. Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, com mais de 30% das intenções de voto, se mantém na primeira colocação.

Em entrevista concedida ao portal UOL, a ambientalista falou sobre a sua perspectiva futura de eleições e admitiu que deve mesmo ser o nome da Rede para o novo pleito. Marina chegou a liderar as pesquisas antes da votação de 2014, mas acabou perdendo fôlego na reta final da campanha e ficou de fora até do segundo turno, que foi disputado por Dilma Rousseff e Aécio Neves.

"Em um espaço breve de tempo, eu estarei manifestando oficialmente a minha posição. Mas eu não preciso ter falsa modéstia nesse momento. Há um desejo grande dos membros da Rede para que eu participe das eleições defendendo o partido. O desejo é da minha candidatura, assim como há esse desejo na sociedade. Mas não vamos pela lógica do poder pelo poder. É preciso encarar a política como um serviço. E, sendo assim, você presta onde é necessário", comentou.

Marina, mais uma vez, amenizou a falta de força política do seu partido dentro do Congresso Nacional e disse que isso não vai impedir de fazer eventualmente um bom governo. Ela é adepta da qualidade no lugar da qualidade e, para justificar seu pensamento neste tema, cutucou a ex-presidente Dilma Rousseff.

Enquanto liderava as pesquisas [VIDEO] de 2014, Marina acabou sendo vítima do forte trabalho de marketing e publicitários das campanhas do PT de Dilma.

Em uma das peças, Dilma chegou a avaliar que Marina não governaria por muito tempo e seria barrada pela falta de força entre os parlamentares.

"Em 2014, a Dilma fez um programa tentando mostrar como eu seria cassada, porque eu tinha um pouco mais de 30 deputados no partido e não teria maioria dentro Congresso. Bom, ela teve mais de 400 deputados na sua base aliada. E saiu. Então, não é quantidade que mantém um político no cargo, mas a qualidade", explicou Marina, que completou: "Pagar para ter maioria parlamentar não é comandar um governo, é cometer crimes".

Crime eleitoral em 2014

Apesar do estilo poderado, de fala tranquila e discursos amenos, Marina Silva não ficou em cima do muro ao tratar de um polêmico tema na entrevista dada ao UOL. Para ela, houve, sim, crime eleitoral nas eleições presidenciais de 2014, que elegeram Dilma Rousseff em segundo turno após uma apertada disputa com o tucano Aécio Neves.

Na avaliação da pré-candidata, houve crime eleitoral e "as investigações da Operação Lava-Jato estão mostrando isso".

Marina acredita que tanto Dilma, que venceu, como Aécio, que foi o candidato derrotado, cometeram crimes eleitorais antes do término da disputa.

"As investigações da Operação Lava-Jato estão mostrando claramente que houve a presença de organização criminosa nas eleições de 2014. Teve dinheiro ilegal de variadas formas. Dinheiro de caixa dois, da Petrobras, da Belo Monte, de negociação de medidas provisórias. As investigações deixaram bem claro que houve dinheiro ilegal entrando na campanha tanto de quem venceu a eleição como na de quem perdeu".

Inicialmente, Marina Silva seria a vice-candidata na chapa de Eduardo Campos, do PSB, que acabou sendo vítima de um acidente aéreo há alguns meses da eleição. Como titular da candidatura, Marina ficou de fora do segundo turno da disputa e terminou o pleito no terceiro lugar, com 21,32% dos votos, que deu um total de 22.176.619.