Nesta última segunda-feira (27) o Juiz Federal Sérgio Moro, fez algumas revelações com relação a sua trajetória na Operação Lava Jato [VIDEO]. Durante um evento promovido pela revista “Veja” em São Paulo, o Sérgio Moro disse que já passou por muitas situações engraçadas e também complicadas por estar conduzindo os processos da Lava Jato e até mesmo “ataques sujos”. Mas não chegou a citar de quem teria sofrido estes ataques sujos.

Moro disse que jamais esperava que algum dia sofreria os ataques sujos que sofreu, por conta desses casos em que envolve pessoas da política.Certamente estes ataques os quais Moro sofreu podem ter sido feitos pela própria mídia ou por algum dos réus dos quais ele julga durante as investigações.

Moro continuou seu discurso dizendo que os políticos corruptos em muita das vezes preferem se omitir a ajudar e isso acaba dificultando o combate à corrupção no Brasil.

Moro disse que conversa entre Dilma e Lula, tinha trechos que não eram "republicanos"

O magistrado também falou sobre a divulgação de conversas telefônicas entre a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula [VIDEO] da Silva (PT) no ano passado no mês de março.

Segundo Moro, a gravação das conversas foi determinada por ele mesmo e disse que havia trechos da conversa entre Lula e Dilma que não eram nem um pouco republicano. Nesta conversa Dilma fala para Lula que iria mandar um de seus assessores entregar-lhe o termo para que Lula tomasse posse do cargo de ministro da Casa Civil, e que essa estratégia só seria usado em caso de extrema necessidade.

Essa nomeação tinha como objetivo garantir a Lula o foro privilegiado e assim tiraria Lula do alcance de Sérgio Moro. Segundo Moro, o objetivo de trazer essas gravações ao público não foi somente a divulgação das conversas, mas o conteúdo da gravação que não era tão republicana.

Na época em que a divulgação veio a público causou uma grande polêmica e teve até mesmo magistrados que chegaram a dizer que por Moro ser apenas um juiz de primeira instância, não possuía tanto poder a ponto de fazer a divulgação das conversas e muito autorizar as gravações de um Presidente da República.

Mas o telefone que estava grampeado era do ex-presidente Lula e quem era presidente era a ex-presidente Dilma Rousseff. Moro argumentou que os governantes têm uma grande responsabilidade sobre os governados e devem agir com transparência. Moro também falou de suas frustrações durante as investigações na Lava Jato.

Segundo Moro, o que lhe deixa mais triste é saber que durante esses quatros anos que está a frente da Operação Lava Jato, é ver que os políticos que não estão envolvidos não fizeram nada para ajudar no combate a corrupção, pois uma medida que é necessária e essencial no combate da corrupção seria fazer uma reforma na liderança política.