Em uma das maiores derrotas de sua história, o impeachment de Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores teve como principal responsável o PMDB. A aliança no plano nacional construída ainda no final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, ruiu entre o final de 2015 e o início de 2016, desencadeando em um arrastado processo de impedimento, que tirou Dilma da presidência em agosto do ano passado.

O maior beneficiado foi o PMDB, partido que detém maioria no Congresso Nacional e que herdou a presidência na figura de Michel Temer, o então vice-presidente de Dilma.

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Desde então, os partidos caminham em direção opostas no plano nacional, sendo o PT um dos principais críticos da gestão de Temer [VIDEO], sobretudo no que diz respeito às reformas da Previdência e trabalhista.

Mas, faltando aproximadamente um ano para as eleições de 2018, os dois partidos novamente podem andar juntos. Nos âmbitos estaduais, o PMDB está interessado em se coligar com o PT para manter o prestígio dentro do Congresso. A sigla de Temer não vai lançar nenhum nome para a sucessão na presidência e estabeleceu como meta no próximo pleito ampliar o quadro de parlamentares eleitos.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal Estadão neste final de semana, o PMDB deve se coligar com o PT em no mínimo oito estados para a disputa de 2018. Os peemedebistas têm atualmente as maiores bancadas da Câmara e do Senado e pretendem se manter nesta condição para a próxima legislatura - 2019 a 2022.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), presidente nacional do partido, encarou com extrema normalidade o fato das possíveis coligações regionais com o PT e não fez menção nenhuma ao conturbado processo de impeachment que retirou Dilma Rousseff da presidência.

Jucá, um dos principais apoiadores do governo Temer [VIDEO] e homem forte da gestão, entende que "cada estado tem a sua própria realidade".

"Não há nenhum tipo de orientação do partido para a proibição. Cada estado tem a sua própria realidade. Não há nenhum problema nisso", destacou em entrevista ao Estadão. Segundo ele, uma reunião executiva do partido deverá oficializar o tema.

Possível apoio a Lula também é debatido

Depois de ser pivô da saída do PT do governo, o PMDB poderá ajudar o PT a voltar ao Planalto. Pode até parecer mentira, mas não é. Quem deixa em aberto a possibilidade é o atual presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Ele já afirmou que pretende apoiar uma eventual candidatura de Lula, que ainda é incerta diante da tramitação da condenação de Lula por parte do juiz federal Sérgio Moro, na primeira instância da Operação Lava-Jato.

Sobre a questão jurídica, o PT estima que o TRF-4 possa julgar a sentença de Lula em primeira instância até abril do ano que vem.

Se a condenação for mantida ou ampliada, Lula fica impedido de disputar a eleição.

"Cada um vai procurar fazer o que for melhor no plano estadual. O partido fica livre para fazer as suas coligações", resumiu Oliveira. "No estado que for conveniente fazer coligação com o PSDB, será feito. E no estado que for melhor se coligar com o PT, assim se fará", acrescentou.

Além do Ceará, os seguintes estados devem contar com a parceria PMDB-PT para o pleito marcado para o final do ano que vem: Piauí, Sergipe, Alagoas, Tocantins, Minas Gerais, Alagoas e Goiás.

"Por tradição e até cultura, a decisão de liberar ou não as coligações são feitas pelas lideranças locais do PMDB. Diferente de outros partidos, que têm por hábito fazer uma resolução nacional sobre as suas coligações", explicou Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, entidade historicamente ligada ao PMDB. Franco também ocupa o cargo de secretário-geral da Presidência e pertence ao "núcleo duro" do governo Temer.