A Operação Lava Jato, em uma nova etapa realizada na manhã desta quinta-feira (23), prendeu o ex-chefe da Casa Civil do Rio de Janeiro Regis Fichtner, um dos homens de maior confiança do ex-governador Sérgio Cabral, sendo um forte aliado do politico. Foi suplente de Cabral no Senado e ocupou o cargo de tesoureiro na campanha que o levou ao governo do Rio de Janeiro nas eleições de 2006.

Durante o governo [VIDEO] foi responsável pela parte de licitações e acompanhar o andamento de obras de grande porte como a construção da Linha 4 do metrô fluminense. Fichtner foi preso pela Polícia Federal por volta das 6 da manhã de hoje, em sua residência na Barra da Tijuca, no Rio.

A operação de hoje cumprirá mais quatro mandados de prisão, além de ordens de condução coercitiva.

Segundo as investigações da Polícia Federal, enquanto era chefe da Casa Civil carioca, Regis teria favorecido determinadas empresas que faziam parte de uma organização criminosa criada pelo então governador do Rio. Segundo foi apurado, Fichtner teria recebido cerca de 1,60 milhão de reais em vantagens indevidas.

Segundo o Ministério Público, essas investigações tiveram como base os depoimentos do operador de Cabral, Luiz Carlos Bezerra, que admitiu que suas anotações em uma agenda se referiam à contabilidade da organização criminosa de Cabral. Nestas anotações, Fichtner aparece com os codinomes “Alemão”, “Regis” e “Gaúcho”.

Além das vantagens cedidas a certas empresas [VIDEO], foram constatadas também algumas fraudes em precatórias durante o governo de Cabral a fim de compensar débitos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de empresas que deviam ao estado.

A PF disse que um dos programas sobre suspeita de ter sido usado pela organização criminosa é o “Poupa Tempo”, que visava unir setor público e privado a fim de agilizar os atendimentos e a prestação de serviços de caráter publico.

Outros envolvidos nesta etapa da operação são os empresários Georges Sadala, que foi preso, e Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, que cumpre prisão domiciliar. Cavendish tem um mandado de condução coercitiva, ou seja, irá a sede da PF prestar mais um depoimento, já que, em depoimento anterior, ele afirmou ter desembolsado uma quantia em propina por vantagens na reforma do Estádio do Maracanã.

A Policia Federal também foi a casa do empresário Alexandre Accioly, dono da rede de academias Body Tech, onde cumpriu um mandado de busca e apreensão. O empresário também foi intimado a prestar esclarecimentos. A suspeita sobre ele gira em torno de transações financeiras um tanto quanto suspeitas, como a venda de um apartamento muito abaixo do preço de mercado, entre outras.