A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, se manifestou durante uma entrevista concedida recentemente à imprensa, sobre temas considerados altamente "espinhosos" e que permeiam a realidade da mais alta Corte de justiça do país. A magistrada foi contundente em relação às últimas votações no Plenário da Corte, principalmente em se tratando de um assunto extremamente importante que pode mexer profundamente com o atual cenário politico do Brasil.

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Trata-se da votação que poderá definir o alcance para o chamado "foro privilegiado", considerado pela imensa maioria dos brasileiros, como um foro de privilégios para políticos e autoridades da República.

A ministra Cármen Lúcia reconheceu que há a necessidade de que a Corte possa dar uma resposta rápida e definitiva, em relação ao foro privilegiado, já que, de acordo com a última votação, o ministro Dias Toffolli solicitou um pedido de vistas do processo. A própria presidente da Suprema Corte brasileira afirmou, através de uma autocrítica, que seu voto teria sido extremamente conturbado, já que não teria conseguido dar clareza, no sentido de que não se pode romper uma separação de Poderes. A magistrada foi ainda mais longe ao delimitar que o episódio recente em que deputados do estado do Rio de Janeiro se utilizaram do julgamento do Supremo para a soltura de três colegas o que acarretou que confundiram para confundir.

Mudanças na Operação Lava Jato

Um dos temas abordados durante a realização da entrevista, se refere a quais mudanças poderão atingir a Operação Lava Jato [VIDEO], com a possibilidade cada vez mais provável de que o foro privilegiado seja realmente restrito.

De acordo com a ministra Cármen Lúcia, a revisão do foro privilegiado poderá favorecer substancialmente a condução dos trabalhos da força-tarefa de investigação da operação, além de que poderá corresponder a um julgamento muito mais rápido e com maior celeridade. Cármen Lúcia afirmou ainda, que a sociedade brasileira aguarda uma resposta da Justiça, seja para condenar ou absolver, já que torna-se fundamental que se julguem os crimes de Corrupção que as pessoas não suportam mais.

Cármen Lúcia alertou que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) possui um grande número de processos aguardando para que sejam julgados, de alta relevância e importância para o país. A magistrada ressaltou que é necessário que somente se leve ao Plenário aquilo que seja considerado conflitante para as Turmas da Corte. Ela ressaltou que tudo o mais não precisa. Ao ser questionada sobre a implementação de prisões preventivas no âmbito da Operação Lava Jato, Cármen Lucia disse que a prisão preventiva é sempre fundamentada e não vê abuso nenhum.