Dois dos principais integrantes da força-tarefa de investigação da Operação Lava Jato [VIDEO], os procuradores federais Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima, se manifestaram a respeito do atual momento enfrentado pela maior operação de combate à Corrupção na história contemporânea do país. Vale ressaltar que a Operação Lava Jato é julgada em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, a partir da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná.

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Durante realização de uma entrevista concedida à imprensa, os dois procuradores federais afirmaram enfaticamente que, se não existisse uma estratégia delineada e definida de comunicação, a Operação Lava Jato teria sido fadada ao esquecimento.

Deltan e Carlos Fernando acreditam ainda que, a partir de um período consumado de aproximadamente quatro anos decorridos da deflagração da operação sediada em Curitiba, pode-se permitir aos agentes do processo traçar análises a respeito do saldo das investigações da força-tarefa.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima ressaltou que houve um favorecimento para que a sociedade tivesse acesso aos fatos, já que as investigações estão documentadas em sistema eletrônico. O procurador foi ainda mais longe, ao afirmar que, em se tratando da divulgação dos áudios do ex-presidente da República [VIDEO] Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão foi tomada pelo juiz Sérgio Moro, com autorização expressa do Ministério Público Federal.

Ele entende até o momento é uma decisão absolutamente correta do magistrado paranaense.

O membro do Ministério Público Federal disse ainda que um agente público não tem mais direito à privacidade, pois, tem um direito menor do que o cidadão comum.

Desafios e pressão na Lava Jato

O procurador Deltan Dallagnol revelou ainda que a Lava Jato desvendou a ocorrência de crimes praticados por diversos representantes da sociedade e caberá à própria sociedade avaliar se deveria ser incumbido às pessoas que traíram os interesses que lhes foram confiados, poder ter um novo mandato ou não. Dallagnol lembrou ainda que, para os brasileiros, a corrupção é considerada o maior problema nacional.

Tanto Carlos Fernando quanto Deltan Dallagnol, entendem que existe uma enorme pressão sobre a Lava Jato proveniente dos poderosos e que muitos políticos acreditavam que a operação atingiria somente a um partido e não puderam perceber que seria uma investigação do próprio sistema de financiamento da política.

Deltan Dallagnol afirmou que há na sociedade diversos movimentos com o propósito de se construir iniciativas que possam fazer com que as próximas eleições presidenciais em 2018 tenham candidatos comprometidos com a integridade, principalmente, em se tratando de um tema tão complexo como a prática da corrupção.

A sociedade civil organizada, afirma, anseia pela presença de políticos que comunguem com princípios considerados democráticos, com uma agenda anticorrupção e com um passado limpo.