Em reunião realizada no último dia 1° com comandantes do Exército brasileiro, foi notado grande preocupação por parte das Forças Armadas a respeito do atual quadro político do Brasil. O futuro andamento das eleições de 2018 também seria algo "preocupante" para os militares. Eles desejam que o clima eleitoral seja ameno, mas, no momento, há uma "falta de tranquilidade", admitem.

Um fato que ficou marcado na cúpula dos militares foi as declarações dadas pelo general Antonio Hamilton Mourão, que enfatizou que a instituição iria "impor uma solução" para a crise política e econômica do Brasil. Em texto elaborado pelos chefes das Forças Armadas, há evidente posição contrária as declarações de Mourão.

Ao comentar indiretamente sobre intervenção militar, o texto diz que os cidadão devem estar atentos com os preceitos constitucionais.

O objetivo é fazer com que as próximas eleições aconteçam com tranquilidade, mesmo havendo grande polarização entre direita e esquerda e as investigações da Operação Lava Jato [VIDEO] revelando casos de corrupção envolvendo políticos. O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, disse: "É preciso que o país construa o ambiente de tranquilidade necessário para prosseguir". Ele cita que o Brasil precisa superar questões para que o processo eleitoral seja tranquilo.

Ameaça de Mourão

Na época das declarações de Mourão, foi enfatizada uma ameaça ao Judiciário brasileiro. Mourão disse que se membros do Judiciário não fizessem nada para solucionar os atuais problemas políticos que os brasileiros vivenciam, uma "medida seria tomada".

As reuniões entre a alta cúpula e chefes envolvendo as Forças Armadas, o Conselho Militar de Defesa, chefes da Marinha, Aeronáutica e Exército acontecem de dois em dois meses, com o objetivo de manter comunicação evitando más colocações.

O texto elaborado deixa claro uma preocupação com a falta de afinidade entre os Poderes e com a governabilidade do país. Há também o risco do Brasil "explodir" economicamente sem ter passado por importantes reformas, como a da Previdência. A cúpula de militares enfatiza que os políticos [VIDEO] estariam mais interessados com as próximas eleições do que com reformas e ações importantes neste momento para o Brasil.

As Forças Armadas também sinalizam que são convocadas para atuar em lugares em que não está tendo ordem social e grande instabilidade, como o caso que aconteceu no Rio de Janeiro. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, que comparece na reunião com os militares, foi procurado para se pronunciar sobre o conteúdo da reunião. Porém, ele afirmou que está impedido de comentar quaisquer assuntos, reais ou não, referentes ao conselho.