O racha interno do PSDB [VIDEO] está cada vez mais escancarado para quem quiser ver. A última no ninho tucano foi a destituição do senador Tasso Jereissati (CE) do cargo de presidente interino do partido. A decisão foi tomada pelo senador Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB. Para o lugar de Tasso, Neves indicou o ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman - inimigo íntimo de outro tucano, o prefeito de São Paulo, João Doria [VIDEO].

O argumento apresentado por Aécio para afastar Jereissati do cargo foi o de garantir a isonomia da eleição para presidente do partido que ocorrerá na Convenção Nacional, dia 9 de dezembro.

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Segundo Neves, a permanência de Tasso na presidência durante a eleição poderia beneficiá-lo. O senador cearense já oficializou sua candidatura. A segunda frente para disputar o cargo tucano é Marconi Perillo, governador de Goiás que conta com o apoio de Aécio Neves.

Os rachas internos no PSDB são por inúmeras razões, mas três vêm ganhando cada vez mais destaque: sucessão da presidência do partido para os próximos anos, candidato tucano à Presidência da República em 2018 e o desembarque ou não do governo de Michel Temer. Esses são os pontos principais e que norteia as polêmicas tucanas via imprensa com declarações e artimanhas entre os principais interessados.

Como está dividido

Existe um grande racha dentro do PSDB que separa aqueles que querem a permanência no governo e os que apoiam o desembarque. A ala que deseja se manter no poder basicamente é composta por Aécio e nomes que mantêm cargos no governo. Um desses exemplos é Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores. Ele foi um dos que se mostrou favorável ao afastamento de Tasso. O PSDB possui quatro ministérios, e caso venha a deixar a base aliada, deve entregá-los.

Outro que se disse a favor da decisão de Aécio foi João Doria. Bem contraditório, como de costume, em julho, defendeu o desembarque do PSDB do governo Temer. Agora, se disse a favor da manutenção na base aliada. João Doria foi outro que usou a desculpa apresentada por Aécio da isonomia para defender o argumento.

"Não pode ser candidato, como presidente interino, tendo domínio da máquina. Isso é uma condição de desigualdade”, disse Doria.

Anti-Temer

A ala tucana que deseja o desembarque do partido é composta por dois grupos. Os primeiros são a ala mais jovem do partido, que ficaram conhecidos como "cabeças pretas", em referência à cor do cabelo. O outro grupo são os tucanos mais antigos, como Fernando Henrique Cardoso, por exemplo.

O deputado Daniel Coelho (PE), por exemplo, após o afastamento de Tasso, resolveu criticar a situação no Twitter: "Primeiro em Pernambuco, agora no Brasil. Aécio expulsa Tasso da presidência do PSDB. Tasso não se curvou a Temer, Aécio, Bruno Araújo e outros, foi chutado.

Vergonha!!!! Nojo!!!!!", afirmou.

Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em coluna no O Globo no dia 5 de novembro, afirmou que o PSDB deverá pagar caro por ter permanecido tanto tempo junto ao governo impopular de Michel Temer. "O PSDB [não] deixará de pagar por ter dado a mão ao governo Temer e de tê-la chamuscado por inquéritos”, afirmou FHC. O pensamento do ex-presidente só corrobora as últimas pesquisas que mostram como cresce a rejeição ao PSDB.

Muro

Como em todo lugar, dentro do PSDB também existem aqueles "isentões". O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, é o principal exemplo dessa postura. O tucano não comentou absolutamente nada sobre o afastamento de Tasso. Também não fala mais nada sobre como analisa o governo de Michel Temer. Alckmin tenta fazer a política da boa vizinhança e não se queimar com ninguém até ser candidato à Presidência da República.