O juiz federal Sérgio Moro [VIDEO], responsável pela Operação Lava Jato, pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o comando de Raquel Dodge, se manifestasse sobre a sua solicitação de incluir algumas partes dos acordos de delação dos executivos da Odebrecht no processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista é acusado de ser beneficiado de propina em decorrência de contratos fraudulentos entre a Petrobras e a empreiteira.

De acordo com o juiz, é de grande importância que a PGR dê uma resposta sobre esse pedido para que se chegue a fase final do processo de Lula. No dia 16 de outubro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, já havia determinado a manifestação da Procuradoria.

A petição de Moro encontra-se sob sigilo na Corte.

No final do mês de setembro, o magistrado solicitou ao ministro Fachin, que é relator da Lava Jato no STF, que incluísse nesse processo os acordos de delação da construtora, principalmente de Marcelo Odebrecht e do ex-diretor do setor de Realizações Imobiliárias da empreiteira, Paulo Ricardo Baqueiro de Melo.

Até o momento, a PGR ainda não havia se posicionado sobre o pedido do juiz.

Processo em questão

Conforme as denúncias contra Lula, neste processo, ele é acusado de receber propina num esquema corrupto de lavagem de dinheiro e corrupção passiva entre contratos da Petrobras com a Odebrecht. Lula pode ter sido beneficiado com um terreno para o instituto Lula e com um apartamento vizinho do seu em São Bernardo do Campo. Todos os imóveis teriam sido conquistados por Lula com dinheiro dos cofres públicos.

O ex-presidente nega o fato e diz que sofre perseguição política [VIDEO].

A sentença final de Moro era para acontecer entre os meses de outubro e novembro, porém, novas informações surgiram e o processo acabou se alongando mais.

Tentativas da defesa

A defesa do ex-presidente tentou provar à Justiça que tinha recibos comprovando os aluguéis do apartamento em São Bernardo do Campo. O proprietário do imóvel, Glaucos da Costamarques, afirmou nunca ter recebido nenhum valor desde 2015.

Os investigadores ficaram desconfiados e observaram falhas grotescas nos recibos, como datas inexistentes. No próximo dia 15 de dezembro, Costamarques será ouvido novamente.

Para que o juiz possa proferir a sentença, é preciso que todas essas etapas sejam concluídas. Depois há a necessidade de esperar as condições finais do Ministério Público Federal (MPF), da Petrobras e da defesa do ex-presidente. isso pode demorar um mês, aproximadamente.