Em cerimônia realizada no Ministério da Justiça em Brasília nesta segunda-feira (20), tomou posso o novo diretor-geral da Polícia Federal, o delegado Fernando Segóvia. Ele fez um pronunciamento contundente de combate à corrupção e sobre a continuidade das investigações que estão em andamento, mas também não deixou de criticar outros poderes como a Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público Federal.

Em seu primeiro discurso já respondendo pela Polícia Federal, Segóvia [VIDEO] declarou que vai ampliar as ações da Lava Jato [VIDEO], questionou o MPF sobre a rapidez que algumas denúncias foram apresentadas e que a PGR deveria apresentar esclarecimentos sobre a forma que foram produzidas provas contra políticos, empresários e executivos de empresas que receberiam dinheiro público.

O ponto mais polêmico foi dizer que "uma simples mala de dinheiro" não pode ser indício de crime ou materialidade para a prisão de políticos, alegando que é preciso mais tempo para depurar as informações e investigar melhor os casos envolvendo propinas e grampos telefônicos.

Vale lembrar que foi a própria Polícia Federal que articulou junto com o Ministério Público e a Procuradoria-Geral da República as famosas ações controladas que originaram as gravações onde o ex-assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, é gravado correndo com uma mala contendo 500 mil reais em dinheiro vivo que foi entregue por um delator do caso JBS.

As ações controladas também implicaram outros caciques políticos, como o senador Aécio Neves (PSDB) e parentes, entre eles sua irmã Andrea Neves e seu primo Frederico Pacheco, que chegaram a ser presos e serem liberados depois por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Outro senador tucano foi citado após um assessor receber uma mala de dinheiro do primo de Aécio, no caso, o senador Zezé Perrela.

Indicação premiada

O novo diretor da Polícia Federal assume o cargo em meio a rumores de que fora indicado por aliados do atual governo. Precisamente, seu nome foi escolhido pela proximidade dos caciques peemedebistas que articularam com o Palácio do Planalto para uma possível "escolha amiga" e nomes como o ex-presidente da República José Sarney teria atuado nos bastidores do poder para Fernando Segóvia ser escolhido.

O atual diretor-geral da Polícia Federal era um nome que estava fora da lista tríplice que foi enviada ao presidente Temer e chegou a sofrer censuras e críticas por sua indicação ao cargo. Entretanto, a recusa por parte de funcionários da Polícia Federal não teve efeito e Segóvia foi nomeado por Temer.

Outro lado

As declarações de Fernando Segóvia chegaram como um recado ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e também ao procurador da Operação Lava Jato em Curitiba Carlos Fernando Dos Santos Lima.

Janot pronunciou nas redes sociais dizendo que o recém-empossado não está a par do inquérito e que poderia estar falando em nome de um terceiro personagem, o presidente Temer ou alguém da ala do PMDB.

“A pergunta que não quer calar é: ele se inteirou disso ou ele está falando por ordem de alguém?”, escreveu Janot.

Já o procurador da Lava Jato declarou que o diretor-geral da PF não deveria emitir opinião sobre as denúncias e investigações, pois isto não era uma função dele e sim do Ministério Público Federal. Vários convidados e políticos compareceram a posse no do diretor da PF, inclusive Temer e o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, ambos denunciados na Lava Jato.