A tão comentada reforma ministerial de Michel Temer deve ser realizada nas próximas semanas. Pelo menos é o que garante o site do UOL, após ouvir algumas fontes do Palácio do Planalto e deputados do Centrão [VIDEO]. É justamente esse segundo grupo que vem exigindo de Michel Temer uma reforma em seus ministérios. O objetivo é tirar espaço do PSDB no governo, que atualmente ocupa quatro pastas, sendo uma delas a de articulação, com Antonio Imbassahy.

Segundo o que apurou o UOL, o partido de Aécio Neves [VIDEO] deve perder dois dos quatro ministérios que ocupa. Os tucanos chefiam as pastas de Secretaria de Governo, Relações Exteriores, Cidades e Direitos Humanos.

As informações prévias é que Bruno Araújo (Cidades) e Luislinda Valois (Direitos Humanos) devem perder seus ministérios. Vale destacar que a tucana foi notícia nacionalmente ao solicitar um salário bem maior do que o teto dos servidores públicos, mais de R$ 60 mil, além de comparar seu trabalho a escravidão.

O ministro que ocupa a Secretaria de Governo da Presidência da República, Antonio Imbassahy, também deve sair do ministério que chefia, mas é bem provável que seja realocado para outra pasta. O tucano é o responsável por fazer a articulação do governo com os parlamentares da base aliada. Porém, segundo informações da repórter do G1 e da Globo News, Cristiana Lôbo, já há muitas semanas que diversos líderes do Centrão passam por cima do ministro e não dialogam mais com ele. A Secretaria de Governo é uma das maiores exigências do Centrão.

Imabassahy deve ser realocado para outra pasta por ter conseguido se aproximar de Michel Temer e ter ganho sua simpatia. Além disso, é uma figura chave da relação entre o peemedebista e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Era justamente o tucano o garoto de recados de Temer que tentava apaziguar os ânimos entre ambos e melhorar a relação estremecida.

O chanceler Aloysio Nunes deve ser o único tucano a permanecer à frente do ministério que ocupa atualmente.

Curiosamente, as informações mais concretas de uma possível reforma para tirar o espaço do PSDB surgiram no final de semana em que os tucanos falaram em sair do governo pela porta da frente. No sábado, Aécio Neves utilizou esse discurso durante convenção do partido em Minas Gerais.

Reorganização

Segundo o UOL, o objetivo do Planalto é tornar a composição dos ministérios mais proporcional e justa aos partidos que entregaram mais votos a Michel Temer em ambas as denúncias na Câmara dos Deputados. Por essa razão, o PSDB, que dividiu sua bancada durante as votações, será o aliado da base que sofrerá mais com a reforma pretendida por Michel Temer.

Carlos Marun, vice-líder do PMDB na Câmara, afirmou que seu partido, o PP e PSC foram os que tiveram maior grau de lealdade com o governo. Por essa razão, devem ser valorizados.

A reorganização ministerial não tem a ver apenas com os votos contra a denúncia da PGR. A reforma da Previdência também é um dos alvos dessas mudanças previstas pelo Planalto. Da maneira que o governo estava organizado, o Centrão já havia comunicado que a reforma não passaria. Essa é uma tentativa do governo de conseguir agradar a base aliada e fazer ser aprovada as novas regras para a Previdência.

Centrão

Segundo informações do UOL, Michel Temer está trocando a ala tucana que votou com ele pelo apoio do PP e PTB. Na matemática dos governistas, vale perder o apoio dessa parcela do PSDB se for para facilitar a vida do Planalto nas negociações com o Centrão.

O UOL informou que o Centrão espera ficar com a pasta das Cidades, que deve ser comandada pelo PP. O partido atualmente está no comando do Ministério da Saúde. Esse voltaria para as mãos do PMDB.