O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, concedeu uma entrevista e disse temer que algo ruim possa acontecer ainda este ano. De acordo com as palavras do magistrado, pode ocorrer alguma manobra dos políticos contra as investigações de combate à Corrupção e a melhor época para eles, seria entre as festas do Natal e do Ano Novo, onde praticamente todos os brasileiros estão se divertindo e deixando de lado um pouco o noticiário.

O juiz não especificou o tipo de manobra, mas admitiu, que algo pode estar sendo preparado e de cunho devastador para a Operação Lava Jato.

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Ele citou que uma lei pode ser aprovada "entre um Jingle Bells e uma rabanada".

O seu receio negativo foi comentado no programa de Pedro Bial, da TV Globo, que passou na madrugada de quarta-feira (13).

Bretas criticou o foro privilegiado e avisou que os investigados farão de tudo para se livrarem das garras da Justiça. O Brasil pode estar em risco e tudo isso pode ser feito na surdina de uma época de festas e afastamento das pessoas com a política.

Perseguição

Marcelo Bretas comentou que muitos políticos dizem ser perseguidos pela Justiça, mas ressaltou que isso é uma inverdade. Segundo o juiz, a Justiça não persegue ninguém, mas cumpre o papel dela. Os políticos jamais serão protegidos e o trabalho das investigações [VIDEO] é pautado em análises técnicas dos processos.

Uma das formas de Bretas provar que nenhuma decisão dele é política é afirmando que não será candidato, pois não possui nenhuma aspiração política.

Bretas tem conduzido a Lava Jato [VIDEO] no Rio com muita intensidade e tem sido rígido contra os corruptos.

Ele é o responsável em decretar a prisão do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral e desmontar um esquema corrupto no estado.

Mudança de rotina

O juiz falou um pouco sobre a sua mudança de rotina com os trabalhos da Lava Jato. Ele chegou até a ser ameaçado de morte. Em todos os lugares que vai, sempre tem seguranças: "Não ando sem escolta", disse ele.

Um dos pontos que deixou o magistrado revoltado, foi a forma de Sérgio Cabral citar a família dele. De acordo com Bretas, Cabral se utilizou de informações que chegavam até à prisão por fontes não identificadas e isso aparentava ser um tipo de ameaça. Por essa razão, ele determinou que o ex-governador fosse para um presídio federal. Porém, no meio do caminho apareceu o ministro Gilmar Mendes, que cancelou a ida de Cabral.

O juiz afirmou que esse episódio já está superado após o acusado e o advogado pedirem desculpas.