O ministro do Supremo Tribunal Federal [VIDEO] (STF), gilmar mendes, tomou uma medida que não teria agradado membros das investigações da Operação Lava Jato. Mendes proibiu a utilização da condução coercitiva para investigados, uma das medidas mais utilizadas na Lava Jato, que já atingiu o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e tantos outros encrencados em casos corrupção.

A Ajufe (Associação de Juízes Federais do Brasil), ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) e ADPF (Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal) avaliaram que o caso pode levar a muitos juízes do Brasil promoverem diversas prisões temporárias.

Ou seja, como os juízes estão proibidos a condução coercitiva, irão apelar para a prisão temporária, a fim de cumprir as ações, prejudicando ainda mais os investigados.

Gilmar Mendes disse que a condução coercitiva seria algo ''inconstitucional''. No entanto, a decisão ainda não está definida e entrará em análise pelos outros membros da Suprema Corte, não tendo previsão para estabelecer uma votação. Roberto Veloso, presidente da Ajufe, disse, em entrevista para o portal ''UOL'', que os juízes se sentirão obrigados a dar uma prisão temporária para um investigado em situações em que apenas a condução coercitiva já resolveria a questão.

Nova medida tomada por juízes

O presidente da ANPR, Robalinho Cavalcanti, avaliou que a decisão de Mendes é ''equivocada'' e irá apenas aumentar o número de prisões preventivas no Brasil.

Ele também lembrou que a utilização da condução coercitiva era usada apenas para investigadores unirem provas, sendo feita em ''casos raros''.

Edvandir Paiva, da ADPF, disse que isso irá prejudicar as investigações policiais, tirando um grande instrumento de investigação. Ele também enfatiza que juízes pediam a condução coercitiva por ser ''menos grave'', mas agora as coisas irão mudar e prisões temporárias irão aumentar consequentemente.

Veloso afirmou que por ser uma decisão liminar, ele acredita que os membros do STF [VIDEO]não vão a fundo com a decisão. Cavalcanti diz que se o investigado é levado pela condução coercitiva, agora ele passará cinco dias na prisão temporária. Algo que se tornará muito pior.

A Operação Lava Jato cumpriu, desde o início das operações, cerca de 222 conduções coercitivas. Segundo pesquisa do jornal ''Estadão'', a Polícia Federal aumentou em 304% o número de conduções coercitivas desde 2013.