Até outubro do ano passado, o procurador do Ministério Público da Suíça, Stefan Lenz, era conhecido como o ''cabeça'' das investigações da Operação Lava Jato no país europeu. No entanto, ele resolveu pedir demissão do alto cargo e revelou ''ingerências'' nas investigações na Suíça que prejudicam o andamento da Lava Jato no Brasil. [VIDEO]

Em entrevista concedida para o portal ''Uol'', Lenz fez declarações contrárias à Justiça de seu país. Em pergunta voltada sobre acordos entre Brasil e Suíça, de se unirem em um acordo em prol da Lava Jato e anticorrupção, o ex-procurador deixou claro que isso nunca teria, sequer, ''existido''.

Segundo o ex-procurador, esse acordo não está previsto no mecanismo de aproximação entre ambos países e ele enfatiza que essa reação se deve a ''intervenções'' políticas.

O Brasil e a Suíça não teriam chegado a um consenso jurídico e atitudes de políticos também seriam responsáveis por desempenhar um papel de ''fracasso'' na criação de um grupo de força-tarefa para investigações.

Ao ser questionado sobre as vantagens de um acordo ''grandioso'' entre os países, Stefan Lenz afirma que isso seria primordial para investigações envolvendo crimes econômicos transfronteiriços, buscando maior eficiência no repasse de informações. Um dos fatores que atualmente afeta as investigações, são nomes de políticos brasileiros que não são conhecidos ou reconhecidos na Suíça, atrapalhando o país europeu a identificá-los.

Se o acordo ocorrer, sistemas policiais de ambos países trabalharão juntos com eficácia nas informações.

Stefan Lenz afirmou que as investigações da Operação Lava Jato são as maiores que ele já lidou. Até o momento, o Ministério da Suíça coordenou a maior investigação anticorrupção com a qual já se deparou. Ele cita que já foram confiscados mais de 1 bilhão de francos suíços, o equivalente a R$ 3,3 bilhões.

O ex-procurador declarou também que a escassez de recursos para lidar com uma investigação [VIDEO]desse porte e a proteção aos bancos fazem com que a Lava Jato não seja totalmente revelada.

Declaração do MP da Suíça

Ao contrário do que foi dito pelo ex-procurador, o Ministério Público do país europeu avaliou que o acordo com o Brasil ainda não aconteceu devido ao ''processo extensivo''. O Brasil já teria cobrado no mês de novembro uma aproximação maior entre os países e a criação da Equipe Conjunta de Investigação (ECI). A Justiça negou que o acordo está paralisado e declarou que é a maior equipe conjunta em nível mundial.