Em uma de suas últimas entrevistas, o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba (PR), Deltan Dallagnol, comentou sobre as adversidades que surgirão em 2018 nos processos da investigação. De acordo com ele, o final de 2018 será uma grande correria e desespero entre os políticos.

Após o término das eleições, muitos perderão o foro privilegiado e ficarão reféns de uma Justiça mais árdua e rápida contra seus crimes e outros serão reeleitos e buscarão medidas que possam amenizar os seus crimes para que seus interesses sejam mantidos. Todos tentarão lutar para salvarem suas peles no Congresso Nacional.

Dallagnol prevê um novo indulto concedido pelo presidente Michel Temer, em seu último ano no cargo. Conforme insinuações do procurador, o presidente fará de tudo para sair da Presidência sem precisar pagar por seus atos de suposta Corrupção e, para isso, publicará um novo indulto presidencial.

É apenas no final do ano que vem que a Lava Jato poderá ter uma base do que sobrou dela e de como as coisas serão em 2019.

Prisão de Lula

Questionado sobre uma possível prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [VIDEO] (PT), o procurador disse que a medida é decorrência natural da condenação em segunda instância. Segundo Dallagnol, a Justiça não olha pelo lado eleitoral, mas, sim, pelo lado do crime. Se o Tribunal Regional Federal da 4° Região confirmar a sentença do juiz federal Sérgio Moro, que condenou Lula [VIDEO] e nove anos e meio de prisão, Lula deverá pagar por seus crimes.

"A lei vale para todos", disse ele.

Para o procurador da República, não há nenhuma sensibilização se o ex-presidente ficar fora das disputas eleitorais de 2018. Lula estaria apenas pagando pelos erros cometidos em graves esquemas de corrupção.

Lava Jato

Dallagnol também comentou ao jornalista Josias de Souza, colunista do jornal Folha de S.Paulo que a força-tarefa de Curitiba tem material suficiente para assegurar as investigações da Lava Jato nos próximos anos. Dois pontos importantíssimos e que ajudarão no combate à corrupção é se o Supremo Tribunal Federal (STF) votar a favor do fim do foro privilegiado e manter o entendimento da prisão em segunda instância.

Esses métodos são eficazes para as investigações, segundo Dallagnol. O procurador deseja que, no ano de 2019, os políticos poderosos que perderam o foro especial possam ser julgados e serem punidos como qualquer outro brasileiro.

Resta aguardar quais serão as investidas contra a Lava Jato e o que o governo federal poderia tramar contra as investigações.