Destituída da presidência da República por meio de um impeachment em agosto de 2016, Dilma Rousseff se incorpora agora à luta pela eleição de seu principal padrinho político e antecessor no cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula. Nesta semana, o Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4) marcou para o dia 24 de janeiro o julgamento em segunda instância do petista, já condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

A condenação veio em decorrência do trabalho de investigação da Operação Lava-Jato, que identificou irregularidades dentro do processo envolvendo o triplex no Guarujá-SP.

A acusação foi de ocultação do imóvel em troca de favores à empreiteira OAS dentro da Petrobras. Condenado, Lula seguiu aguardando o julgamento em liberdade e, durante este período livre, se lançou candidato à presidência em 2018 - do qual lidera todas as pesquisas -, mas sabe que depende do dia 24 para saber se poderá concorrer.

Em caso de manutenção ou ampliação da pena em segunda instância, Lula viraria ficha suja, isso porque a Lei da Ficha Limpa impede que um candidato condenado possa concorrer. A Justiça Eleitoral deverá se posicionar sobre o tema, que evidentemente terá forte apelo popular e foi tema de uma nota oficial emitida por Dilma nesta quarta-feira.

No artigo, a ex-presidente critica a velocidade em que o TRF-4 marcou a data do julgamento [VIDEO], o que, segundo ela, contraria os próprios costumes do tribunal em casos semelhantes.

De forma ríspida, Dilma também disparou que eleição sem a presença de Lula é "golpe".

"Os democratas do Brasil, aqueles que prezam pela normalidade democrática e pelo total funcionamento das instituições, devem defender o direito de Lula [VIDEO] de concorrer ao cargo de presidente da República. Interditar Lula é casuísmo. Eleição sem ele não terá legitimidade. Eleição sem Lula será mais um golpe contra a democracia”, escreveu a ex-presidente.

Para Dilma, o TRF-4 estará julgando Lula "na metade do tempo em que realizou os seus mais rápidos julgamentos". Ela ilustra a situação mencionando o caso do ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, que, em sua análise, tem o julgamento do seu recurso "mantido na gaveta há 12 anos", mesmo após a condenação em primeira instância.

A narrativa do golpe

Dilma Rousseff usa a mesma palavra que insistemente repetiu durante o seu processo de defesa, ainda no transcorrer das etapas do impeachment, para demonimar a tramitação na justiça das denúncias sobre Lula.

O próprio Supremo Tribunal Federal - STF -, lá atrás, no entanto, corroborou e solidificou o rito do impeachment que a amealhou do cargo que exercia.

Desde sua saída do Palácio do Planalto, Dilma tem se ocupado com caranavas, viagens e agendas no exterior fazendo palestras e exposições. Em muitas delas tem relembrado os seus anos de governo e feito críticas à maneira como foi tirada do cargo de presidente. E, claro, ainda se vale da palavra "golpe" para caracterizar a opção feita pelos parlamentares em 2016.

Com um passado de luta contra a ditadura militar, Dilma foi uma aposta pessoal de Lula para a sucessão no governo. Ela venceu os tucanos José Serra e Aécio Neves em 2010 e 2014, respectivamente, mas só teve sobrevida na sua primeira gestão. A partir de 2015, os problemas de relacionamento com os parlamentares começaram a deixar a sua gestão praticamente ingovernável.

O PT tenta, agora, voltar ao poder através de seu principal nome e líder político Lula. Ainda dependendo do julgamento do TRF-4, o ex-presidente lidera todas as pesquisas prévias às eleições presidenciais de 2018.