O procurador do Ministério Público Federal (MPF) e coordenador da força-tarefa das investigações [VIDEO] da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, criticou ferozmente a atitude do presidente da República Michel Temer. O caso aconteceu após Temer conceder o chamado indulto natalino, que tem como objetivo reduzir a pena de criminosos corruptos na questão de crimes ''menos graves''.

Nesta última sexta-feira, 22 de dezembro, Dallagnol utilizou suas redes sociais para mostrar grande indignação com o caso. Em uma publicação, ele enfatizou que Temer estaria resolvendo os problemas de corruptos de ''colarinho branco'' e que nesta época do Natal, haveria uma grande liquidação no quesito de cumprir penas.

O coordenador da Lava Jato ironizou, dizendo que se há um réu querendo colaborar com a Justiça, ele conseguirá um desconto de cerca de 80% da pena, porém ainda com insistência esse réu conseguirá um desconto ainda maior, de 97%. A crítica de Dallagnol foi um recado claro a Temer em tom de provocação.

Para comparar o caso, Dallagnol citou o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, um dos réus da operação Lava Jato que cumpriu pena durante dois anos e meio. Odebrecht é acusado de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, ele chegou a ser condenado na Justiça por 31 anos de prisão e pagou uma multa equivalente a R$ 73 milhões. No entanto, Marcelo conseguiu ir para a prisão domiciliar e sua pena foi reduzida a dez anos.

Dallagnol cita que se Marcelo tivesse visto o indulto de Natal proposto por Temer, ele nem teria colaborado com a Justiça.

Em um ataque direto, Deltan diz que a ''temporada da corrupção'' continua funcionando e, com isso, quem se prejudica é a população brasileira que fica sem saúde, segurança e educação. O procurador diz que este é o recado que Temer quer mostrar para o povo.

No mês de novembro membros do MPF já tinham criticado o indulto natalino e citaram que se um criminoso é condenado em 12 anos de prisão, ele poderia cumprir sua pena em apenas 2 anos.

João Luiz Argolo, ex-deputado federal, é um dos presos por corrupção em 2015, estaria agradecendo Michel Temer [VIDEO]pelo indulto natalino. Ele que foi condenado em 12 anos e 8 meses por crimes de corrupção, agora poderá ter liberdade que sempre desejou. Foi descoberto que Argolo desviou cerca de R$ 1,4 milhões da Petrobras.

Dallagnol diz que isso não seria notícia de sites humorísticos e frisa que a população tem que escolher muito bem seus candidatos nas próximas eleições.