A Convenção Nacional do PSDB, neste sábado (9), em Brasília, oficializou a ida do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin [VIDEO], para comandar os rumos do partido. Há algumas semanas, já estava certo que Alckmin iria assumir a Presidência nacional do PSDB no lugar de Alberto Goldman [VIDEO], que ocupava o cargo interinamente após o senador Aécio Neves destituir outro senador tucano, Tasso Jereissati, da vaga.

O governador de São Paulo foi eleito quase que por unanimidade, 470 votos a seu favor e somente três contra. A chefia de Alckmin será pelos próximos dois anos. Ou seja, durante o período do pleito presidencial em 2018, ele terá toda a máquina tucana voltada para sua possível candidatura.

Pós-evento, Geraldo aproveitou para falar de uma candidatura futura e de um possível novo embate com Lula. Vale lembrar que o governador de São Paulo já disputou uma eleição presidencial contra o petista e saiu derrotado, em 2006.

Agora oficialmente presidente do PSDB e quase que garantido como o candidato tucano na disputa pelo cargo de Presidente da República, Geraldo Alckmin terá que lidar mais ainda com alguns "esqueletos no armário" que deverão aparecer para lhe assombrar usados por seus opositores. Geraldo Alckmin apareceu como última esperança tucana para tentar limpar a barra do partido, mas também tem seu nome envolvido em polêmicas.

Delações da Odebrecht

Geraldo Alckmin é acusado de ter recebido doações nos valores de R$ 2 milhões em 2010 e R$ 8,3 milhões em 2014. Ambas feitas por meio de caixa 2 em suas campanhas ao governo do estado de São Paulo.

As acusações foram feitas por três delatores da Odebrecht: Benedicto Júnior, Carlos Armando Paschoal e Arnaldo de Souza e Silva. No último dia 22 de novembro, o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, fez um pedido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) solicitando a abertura de inquérito contra o tucano.

Merenda escolar e escolas ocupadas

O governo de São Paulo passou por investigação da Operação Alba Branca. Ele é acusado de fraudar a compra de merenda escolar para escolas da rede pública de ensino. As acusações dos delatores do esquema eram de que tucanos do alto escalão do governo de Geraldo Alckmin cobravam propina nos contratos feitos pelas instituições de ensino. Fernando Capez, ex-chefe de gabinete de Alckmin e atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, seria um dos envolvidos. Uma CPI foi aberta na Assembleia para investigar o caso, mas em menos de um ano encerrou os trabalhos e não responsabilizou nenhum político.

Outra polêmica envolvendo a educação foi o movimento de escolas ocupadas por todo o estado de São Paulo.

Os alunos eram contrários ao que ficou conhecido como "reorganização" das escolas. Se tratava na realidade do fechamento de algumas instituições de ensino e realocação de seus estudantes em outras escolas. Uma das críticas envolvendo Alckmin foi o uso de extrema violência da Polícia Militar de São Paulo, comandada pelo governador, contra estudantes do ensino médio e fundamental.

Caixa preta dos trens e Metrôs

O "cartel dos trens e do metrô" de São Paulo ainda é uma caixa preta para a Justiça. O "cartel" teria sido articulado entre os anos de 1998 e 2008, durante as gestões dos tucanos Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, pelo que já informou o Ministério Público Federal. Basicamente tudo envolvendo a CPTM e o Metro de São Paulo teria sido envolvido nos ganhos do "cartel". Desde a compra dos trens, a manutenção das linhas e construção de outras passariam pele bolso dos tucanos. Até o momento, absolutamente nenhum político foi responsabilizado ou condenado pelos desvios.