Gilmar Mendes, o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) [VIDEO], nesta segunda-feira, disse que existe a possibilidade de a corte tomar atitudes mais definitivas sobre as pré-campanhas do deputado federal Jair bolsonaro (Patriotas-RJ) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) [VIDEO], devido às caravanas e comícios realizados pelos presidenciáveis, e diz que deve ter alguém financiando isso tudo.

O presidente do TSE disse que a punição pode chegar à cassação da diplomação dos candidatos, caso seja comprovado que está ocorrendo abuso de poder econômico por parte dos políticos. O Tribunal Superior Eleitoral analisou representações da Procuradoria-Geral Eleitoral sobre os dois e suas pré-campanhas no período não permitido e chegaram à conclusão de que não há procedentes nas acusações da Procuradoria-Geral.

Gilmar Mender apontou que existe algo de questionável quanto à campanha antecipada tanto de Bolsonaro quanto de Lula, afirmando que existem elementos que custariam muito caros, como reunião organizada de pessoas, deslocamento de caravanas e entre outras coisas similares.

E ele afirmou que alguém tem que estar financiando isso, e levantou a pergunta que pode comprometer os envolvidos: ''Quem está financiando?''. E todas essas evidências deverão ser analisadas e é provável que a questão seja levada ao tribunal no mês de fevereiro do ano das Eleições (2018), o que poderá mudar todo o cenário da disputa presidencial, já que os dois envolvidos na complicação com o TSE são os presidenciáveis que lideram as pesquisas de intenção de voto.

Porém, o ministro diz haver uma lacuna no sistema quando diz respeito à fase de pré-campanha, o que pode ser a brecha que os pré-candidatos se assegurem, o que complica a situação.

O presidente Gilmar acrescentou também a informação de que o TSE está em parceria com a Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e com a Receita Federal, trabalhando com o objetivo de identificar a existência de pessoas sem capacidade eleitoral no sistema de doações de campanha, já que em 2016, foram identificados 300 mil laranjas nas eleições municipais, sendo esse valor quase metade do total de 730 mil doadores.

Tais declarações ocorreram em Washington, enquanto Gilmar Mendes assinava um convênio de observação das eleições gerais de 2018 pela Organização dos Estados Unidos (OEA) pela primeira vez, com o objetivo de a instituição observar mais de perto as eleições brasileiras para então conhecer e oferecer sugestões para sua melhoria.