O ano de 2018 tende a se tornar um ano extremamente complicado para duas figuras do universo petista, o ex-presidente da República [VIDEO], Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-ministro e homem-forte do governo Lula, José Dirceu. Ambos podem se deparar com mais uma denúncia, de acordo com um novo inquérito que apura a existência de contas atribuídas a eles no exterior, para o recebimento de quantias provenientes do mega esquema de Corrupção da Petrobras, abastecidas de propinas oriundas de desvios bilionários dos cofres da maior estatal petrolífera brasileira.

Trata-se de uma nova investigação em curso que tende a adentrar o próximo ano, através de todo um trabalho minucioso da força-tarefa de investigação da maior operação anticorrupção na história contemporânea brasileira, a Operação Lava Jato [VIDEO], conduzida em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, a partir da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná.

Vale ressaltar que o ex-presidente Lula já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro pela prática de crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, relacionada ao processo de aquisição de um apartamento de luxo praieiro, através de recursos provenientes dos cofres públicos da Petrobras, por meio de empreiteiras envolvidas no mega esquema de corrupção ocorrido na estatal. Lula aguarda o julgamento em segunda instância, no TRF4 (Tribunal Regional Federal da Quarta Região), de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para o próximo dia 24 de janeiro, onde poderá ser definido o seu futuro político e situação criminal.

Lava Jato faz nova descoberta na Espanha

A força-tarefa de investigação da Operação Lava Jato, através do trabalho desempenhado pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal, fez uma descoberta muito importante para o aprofundamento das investigações que apuram o mega esquema de corrupção envolvendo empreiteiras e a Petrobras.

trata-se de revelações do empreiteiro Gerson de Melo Almada, da Engevix, que afirmou categoricamente ter conhecimento da existência de uma contra destinada para recebimento de propinas em Madri, na Espanha. A conta seria administrada pelo lobista Milton Pascowitch e cujos beneficiários seriam o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu.

Gerson Almada afirmou em depoimento prestado e que pôde ser formulada denúncia do Ministério Público Federal, a distribuição de propinas a Dirceu, cuja quantia extrapola os R$ 2,4 milhões. O empreiteiro afirmou que teria feito contratos "dissimulados" com o objetivo de se pagar supostas vantagens de caráter indevido ao ex-ministro petista. Segundo o Ministério Público Federal, em manifestação enviada em 19 de dezembro, as novas declarações de Gerson Almada, não possuiriam o condão de desconstruir a narrativa edificada na denúncia.

Entretanto, segundo a defesa de Lula, seria mais uma peça de ficção que integra o sistema de delações premiadas a 'la carte' que vem se tornando marca na Lava Jato, de acordo com o advogado Cristiano Zanin Martins.

Já o advogado de José Dirceu, José Podval, afirmou que, se for verdade o conteúdo do depoimento de Almada, a delação deve ser revista. O advogado Théo Dias, de Milton Pascowitch, disse que Almada afirmou não ter provas do que disse em seu próprio depoimento.