Os membros da força-tarefa de investigações da Operação Lava Jato estão criticando ferozmente o Governo do presidente Michel Temer neste final de ano. O fato provocou indignação da equipe da maior investigação [VIDEO] anti-corrupção do Brasil, e traz revolta para todos aqueles que apoiam a Lava Jato. Segundo decisão de Temer a respeito do indulto natalino, presos que cometeram crimes ''menos graves'' vão ganhar de ''presente de natal'' alguns benefícios, tendo a pena reduzida; tirando a credibilidade de sentenças dadas a partir da Lava Jato, que já colocou na cadeia grandes políticos e empresários brasileiros.

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Houve um retrocesso sobre o cumprimento de penas. Durante 15 anos era necessário que fosse cumprida pelo menos um terço da pena para que o detento tivesse o direito de sair da prisão.

No ano de 2016 isso mudou, e tornou-se necessário cumprir um quarto da pena. No entanto, em 2017, Michel Temer estabeleceu um novo tempo: é necessário cumprir apenas um quinto de uma pena máxima de 12 anos para conseguir a liberdade. O caso interage diretamente com criminosos acusados de corrupção e lavagem de dinheiro, atingindo em cheio políticos condenados pela Justiça. O decreto de Temer foi assinado na semana passada.

Para justificar a atitude, o Ministro da Justiça, Torquato Jardim, atribuiu que a decisão partiu do ''momento político'' que o Brasil [VIDEO] está vivendo. Segundo o Ministro, o indulto chegou no momento adequado com uma visão futura e mais liberal. Outro ponto que incide são os dependentes dos presos, antes apenas quem tinha filhos de até 14 anos de idade seria beneficiado, porém, agora quem tem netos também pode conseguir ''regalias'' na Justiça.

Dallagnol e Moro

O procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, criticou Temer dizendo que o indulto natalino estaria consagrando criminosos de colarinho branco, tendendo a ''esvaziar a Lava Jato''. O procurador questionou o fato de políticos fazerem delação premiada, pois, com o atual decreto, eles já sabem que terão 80% de sua pena reduzida, fazendo ou não, a delação. Deltan é enfático e diz que o indulto atende interesses particulares de políticos.

Quem também se manifestou foi o juiz federal Sergio Moro. O magistrado disse que o indulto é ''generoso'' e mostra uma grande falta de comprometimento do poder político em relação ao enfrentamento da corrupção sistêmica do Brasil, dando para a sociedade uma péssima imagem, a da impunidade.