O futuro ministro da Secretaria de Governo do presidente da República [VIDEO] Michel Temer e um de seus mais fiéis aliados políticos, Carlos Marun, do PMDB do estado do Mato Grosso do Sul, decidiu incluir em seu relatório final da CPI da JBS, que apura crimes relacionados aos irmãos Joesley e Wesley Batista, o indiciamento e até mesmo a solicitação de prisão do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Vale lembrar que Janot, durante seu mandato à frente do Ministério Público Federal e da Procuradoria-Geral da República, se tornou um dos principais adversários e inimigos do presidente Michel Temer.

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De acordo com o relatório a ser apresentado pelo deputado federal sul-mato-grossense, o ex-procurador geral e antecessor da atual procuradora Raquel Dodge, teria sido um dos principais responsáveis pela deflagração de toda a crise política no país e que levou à apresentação de duas denúncias que quase culminaram no afastamento de Michel Temer, do cargo de presidente da República.

Apresentação de relatório polêmico

O relatório do deputado federal Carlos Marun foi apresentado nesta terça-feira (12), durante sessão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da JBS, em que é solicitado o indiciamento e consequentemente a prisão do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O relatório também conta com o pedido de prisão do ex-chefe de gabinete do ex-procurador, Eduardo Pelella, com base na Lei de Segurança Nacional, sob a acusação de que teria ocorrido, "subversão à ordem política".

De acordo com Carlos Marun, tanto Rodrigo Janot quanto Eduardo Pelella teriam sido responsáveis pela promoção de incitação contra o presidente da República, Michel Temer. Eles teriam ainda se utilizado de entrevistas e atos que corroboram para que seja aceita essa tese, inclusive, a partir da realização de uma palestra apresentada pelo ex-procurador Rodrigo Janot em meados do mês de julho deste ano.

Marun pede que Janot seja enquadrado, de acordo com o primeiro artigo da Lei de Segurança Nacional, no crime de incitação, já que, segundo ele, teria ocorrido "conspiração para afastar o presidente".

Já em se tratando do segundo artigo da Lei de Segurança Nacional, o ex-chefe do Ministério Público Federal deveria ser enquadrado em crimes relacionados à difamação e calúnia proferidas contra o mandatário do país, além da lei incluir nesse rol, o mesmo crime contra os presidentes do Senado Federal, Câmara dos Deputados e Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO].

Entretanto, vale ressaltar que a atual procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou na manhã desta terça-feira que ainda não teria sido comunicada a respeito do teor do relatório final da CPI da JBS e que iria estudá-lo, caso ele chegue à Procuradoria. Dodge foi contundente, ao afirmar que não lhe caberia fazer nenhuma consideração a respeito da intenção apresentada no relatório e que quando receber o documento, fará uma análise adequada no momento que seja considerado oportuno.