Um dos principais membros integrantes da força-tarefa de investigação da maior operação de combate à Corrupção em toda a história brasileira e uma das maiores já desencadeadas em todo o mundo, a Operação Lava Jato [VIDEO], o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador geral da apuração no âmbito do Ministério Público Federal, manifestou de modo enfático e contundente em sua análise exclusiva a respeito do cenário político que possa ser traçado para 2018.

De acordo com o procurador federal Deltan Dallagnol, que é um dos principais membros da força-tarefa sediada em Curitiba, no estado do Paraná, a Lava Jato pode vir a se fortalecer em 2018, assim também em se tratando de 2019 e até 2020, dependendo das ações a serem tomadas no espectro político.

Por exemplo, o fim do foro privilegiado, o que pode ser algo extremamente benéfico para o prosseguimento e aprofundamento das investigações relacionadas ao crime de colarinho branco, já que autoridades que estejam envolvidas em casos de corrupção não poderão ter mais a possibilidade de serem julgadas somente no âmbito da mais alta Corte de Justiça do país, o Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO].

Julgamento do ex-presidente Lula em segunda instância no TRF4

Um dos temas extremamente polêmicos abordados durante a entrevista à imprensa neste final de ano o coordenador-geral da Operação Lava Jato se referiu a respeito da situação do julgamento em segunda instância inerente ao caso que envolve o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Vale ressaltar que o ex-presidente foi condenado a nove anos e seis meses de prisão em regime fechado pela prática de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em se tratando da aquisição do apartamento tríplex localizado em Guarujá, litoral do estado de São Paulo.

Segundo a decisão judicial, o imóvel foi obtido através de recursos ilícitos provenientes de empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras. A decisão que culminou na condenação de Lula foi tomada em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, a partir da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba.

Entretanto, o processo do petista segue em tramitação na segunda instância, cujo julgamento para que se confirme ou não a condenação proferida por Moro se dará no próximo dia 24 de janeiro, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

De acordo com Dellagnol, se o TRF4 condenar Lula, ao confirmar a sentença de Sérgio Moro, a provável prisão do ex-presidente seria "uma decorrência natural da condenação em segundo grau, já que não haveria razão alguma para se distinguir entre Francisco e Chico, pois, a lei vale para todos". Ao ser questionado sobre se seria algo inadequado uma eleição presidencial sem a participação do ex-presidente Lula, Deltan foi categórico ao afirmar que não se dirige à suposta nova situação com olhos voltados para o processo eleitoral, mas, sim, sob a perspectiva da justiça criminal.