Com o julgamento que pode impedir a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [VIDEO] marcado já para o dia 24 de janeiro, aumenta a chance do principal nome do pleito não disputar a eleição. Essa possibilidade abre caminho para que outros nomes e partidos até então sem muitas chances de vitória possam renovar suas esperanças. Pelo menos essa é a conclusão a que chegaram partidos como DEM, PMDB, PSD e PSB, segundo a Folha de S. Paulo.

O DEM, por exemplo, pelo que informou o periódico, voltou a estudar a possibilidade da candidatura de Luciano Huck. A informação é de que diretores do partido mantiveram contato com o apresentador da Rede Globo mesmo após seu artigo negando a candidatura.

A esperança do Democratas é que eles são capazes de convencer Luciano Huck a se candidatar caso a candidatura de Lula seja mesmo impedida pela Justiça. Numa situação como essa, o apresentador teria até o mês de abril para se filiar a um partido político. Seria tempo suficiente para a realização do julgamento do ex-presidente e análise de alguns dos seus recursos.

Na avaliação do Diretório Nacional do DEM, Luciano Huck seria capaz de absorver parte dos eleitores de Lula, o que seria um grande benefício ao partido, já que o eleitorado petista nunca esteve no radar do Democratas.

O partido iniciou conversas com o PSDB para apoiar a candidatura do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mas pode ser demovido dessa ideia caso o global tope participar do pleito. A segunda opção do partido é Rodrigo Maia (RJ), presidente da Câmara dos Deputados.

Jogo aberto

A possível impossibilidade do ex-presidente participar da disputa traria um cenário para o pleito que até então não foi analisado. Segundo a Folha de S. Paulo, dirigentes partidários avaliam que a saída de Lula faria com que a eleição que no momento está polarizada entre o petista e Bolsonaro voltasse a ficar aberta. A análise prévia é que o eleitorado do ex-presidente iria se dissipar, tornando possível a ida de um candidato ao segundo turno com apenas 15% dos votos.

A esquerda, por exemplo, tem em Lula seu principal nome. Seria nele em que a grande maioria dos votos iriam se concentrar. Caso o petista esteja fora da disputa, os dois nomes de esquerda já pré-candidatos, Ciro Gomes (PDT) e Manuela D'Ávila (PC do B), podem ganhar um fôlego a mais. Até a possível candidatura de Guilherme Boulos (sem partido), representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), se fortaleceria.

Na análise do PSB, segundo a Folha de S. Paulo, a saída de Lula da disputa também abriria portas para uma chapa encabeçada pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.

O ex-ministro já foi convidado pelo partido e ainda não deu uma resposta definitiva. Vale ressaltar que no passado também já houve uma conversa preliminar entre Barbosa e a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva.

E por falar na ex-senadora, ela é outra que pode ganhar com a não candidatura do petista. Marina ocupa normalmente o terceiro lugar em quase todas as pesquisas presidenciais. Sem Lula na disputa, caso não ocorra uma migração em massa dos votos para um único candidato, ela passaria a ocupar a segunda colocação.

O PSDB também esfrega as mãos para não ver o ex-presidente no pleito. Os tucanos foram derrotados pelo PT nas últimas quatro Eleições presidenciais, e muito provavelmente Geraldo Alckmin não conseguiria derrotar Lula em um mano a mano nas urnas. Pelo menos não era o que se previa nas pesquisas de intenção de voto.

Até o possível candidato do governo, o ministro Henrique Meirelles, pode ganhar espaço caso o ex-presidente Lula não participe da disputa.