Nesta última sexta-feira, 1° de dezembro, uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), gilmar mendes, colocou os procuradores do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro aos ''nervos''. Mendes decidiu conceder um habeas corpus e soltar da cadeia o conhecido ''Rei do Ônibus'', Jacob Barata Filho, e Lélis Marcos Teixeira, ex-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Rio de Janeiro, a Fetranspor.

A Operação Lava Jato [VIDEO], a partir de investigações da Operação Cadeia Velha, colocou na cadeia os poderosos empresários que recebiam dinheiro de propina de políticos. Eles foram presos no dia 14 de novembro.

Os procuradores do Ministério Público não gostaram nada da reação de Gilmar Mendes, e entendem que quem deveria ter se posicionado sobre o caso é o ministro Dias Toffoli. As informações foram transmitidas pelo portal ''O Globo''.

Conforme reação dos procuradores, a chefe do Ministério Público Federal, Raquel Dodge, irá se pronunciar nesta segunda-feira, 4 de dezembro. Dodge deverá enfatizar se questionará a decisão de Mendes, ou não. Até ontem, uma equipe da Procuradoria-Geral da República estava em reunião para saber como tratar sobre este caso.

Relação Mendes e Barata

Não é a primeira vez que Gilmar Mendes ''ajuda'' Jacob Barata. Em todo o processo, o habeas corpus é o terceiro concedido por Gilmar. A relação entre os dois seria de amizade, pois Gilmar foi padrinho de casamento da filha de Jacob em 2013.

Mendes justificou que a decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) e da 7ª Vara Federal Criminal estariam de confronto com um habeas corpus anterior, concedido por ele mesmo em favorecimento de Barata.

No entanto, os procuradores afirmam que a decisão do TRF-2 não teria nenhuma relação com sentenças dadas pelo juiz federal [VIDEO] Marcelo Bretas, e estariam sendo baseada em outros fatos. Os procuradores reafirmam que no STF o prevento ficaria nas mãos de Dias Toffoli. Procuradores afirmam que a decisão de Gilmar Mendes chegou de forma ''surpreendente'', pois o ministro teria ''passado por cima'' de Toffoli e do ministro Felix Fischer. Segundo a procuradora responsável por atuar na operação Cadeia Velha, Silvana Batini, a conclusão da reunião dos procuradores é de que a decisão precisa ser revista.

Até o momento, o ministro Gilmar Mendes não se pronunciou sobre ''passar por cima'' de outros ministros e não argumentou sobre o caso.