O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pode correr sérios riscos se for comprovado uma revelação grave de uma reportagem divulgada pela revista Veja. De acordo com a publicação, uma relação muito íntima envolvia o ministro da Corte e o empresário dono da JBS Joesley Batista.

Segundo as informações, os dois eram muito próximos e o contato entre eles envolvia uma possível troca de favores. O ministro e o empresário incluíam em sua relação churrascos, patrocínios e jantares.

De acordo com o jornalista Rodrigo Rangel, muito dinheiro entrava na conta pessoal de Mendes. Esse dinheiro era de empresas que repassavam para seu instituto, o IDP.

Eles se reuniam várias vezes e sempre demonstravam estar felizes com tudo que acontecia. A reportagem chegou a publicar uma foto em que os dois aparecem muito sorridentes antes de um encontro em Brasília.

Encontro

Os dois estiveram juntos no dia 1º de abril, na sede do instituto do ministro [VIDEO], em Brasília. A iniciativa partiu de Joesley, que queria falar de qualquer forma com Mendes. Apenas para ressaltar, três semanas antes, Joesley gravou secretamente o presidente Michel Temer e complicou a sua vida.

Na época, o dono da JBS também estava prestes a fechar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Gilmar Mendes chegou a acreditar que também foi gravado nesse encontro e desconfiou de Joesley.

É possível ver certa preocupação no ministro, que percebeu uma grande insistência do empresário para se encontrar com ele, mesmo dizendo que estava tranquilo e que teve uma conversa normal.

De acordo com Mendes, a conversa entre os dois foi sobre um assunto do setor de agronegócios que estava em processo no STF.

‘Dissolver o Supremo’

Dalide Corrêa, braço-direito de Mendes no instituto dele, foi a responsável em atender o empresário e marcar a reunião. A reportagem da Veja mostrou que um conjunto de arquivos revela que a JBS tentava a todo custo interferir nas questões dos tribunais.

Dalide teria entrado em contato com uma advogada da JBS e pedido para que a alta cúpula da empresa não revelasse algo que pudesse comprometer o ministro do STF. Ela estava desesperada e muito preocupada após saber da delação que havia sido negociada com a PGR.

Ao ser questionado do porque da sua assessora estar tão agitada e preocupada, Gilmar Mendes [VIDEO] não soube a razão e acredita que ela estava assim por estar se sentindo culpada de marcar o encontro. Uma conversa entre Joesley e Ricardo Saud, ex-executivo da JBS, mostrou que eles tinham informações fortes capazes de "dissolver o Supremo".