Nesta quinta-feira (14), o juiz federal Sérgio Moro [VIDEO] negou mais um pedido de afastamento feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não concordava com seu discurso em um evento da Petrobras. Segundo os advogados do petista, Moro ser tornou suspeito porque orientou a Petrobras com várias formas de evitar que a estatal se tornasse vítima de corrupção novamente. Moro também rebateu Lula dizendo que foi até a estatal apenas para ajudar a empresa a se reerguer e não envolvê-la em nenhum tipo de irregularidade.

Para os advogados de Lula [VIDEO], o juiz não poderia participar do evento, já que a Petrobras, é objeto principal em processo que o petista responde à Justiça.

Moro rebateu o pedido de afastamento do cargo afirmando que sua palestra não girava em torno do ex-presidente. O conteúdo de seu discurso era voltado para casos já julgados na Lava Jato e que através desses processos poderia se tirar muitas lições para combater a corrupção dentro da estatal.

Mesmo assim, Moro deixou para que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região analisasse o caso exposto pela defesa do petista.

Indireta

Um outro ponto questionado pela defesa do petista é sobre o valor que o juiz teria ganho para realizar a sua palestra na empresa. Moro explicou tudo detalhadamente e disse que não ganhou nada com isso, apenas uma diária do hotel e parte do custo de locomoção. O quarto foi simples e não teve nada de luxo, seguindo as normas da estatal.

O magistrado não cobrou nada para dar a sua palestra e pelo contrário quis apenas ajudar.

Moro teria declarado bem esse lado para mostrar ao petista que o valor de uma diária de um hotel simples não é nada comparado ao quanto ele tirou dos cofres da Petrobras. A propina que Lula teria recebido com contratos fraudulentos entre construtoras e a Petrobras é sim, de fato, um esquema gravíssimo de retirada de dinheiro público.

O interessante foi Lula se preocupar com uma palestra de Moro.

Motivo da palestra

O juiz afirmou que só aceitou participar do evento porque viu que poderia contribuir em melhorias para a estatal. Talvez em forma de indireta a Lula, ele disse que foi de grande importância dar dicas para a empresa não ser vítima de esquemas corruptos de políticos inescrupulosos.

O juiz condenou Lula a nove anos e seus meses de prisão. O ex-presidente teria recebido dinheiro irregular da construtora OAS.

Lula nega as acusações e terá no dia 24 de janeiro o seu caso sendo julgado pelo TRF-4.