A artilharia da Polícia Federal agora está apontada para o ex-governador do Estado de alagoas Teotônio Vilela Filho, do PSDB. Nessa quinta-feira, 30 de novembro, o ex-governador, que já foi presidente nacional de seu partido, foi apontado como suspeito de ter recebido propinas milionárias na ordem de 2 milhões de reais da Odebrecht. Ele foi o principal alvo da operação Caribdis, quando agentes da Polícia Federal vasculharam sua residência e apreenderam computadores, celulares, smartphones e documentos diversos.

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Ele é acusado de ter montado organização criminosa e infiltrado pessoas no esquema fraudulento que sangrou os cofres do Estado. Teotônio é suspeito de fraudar as obras de concorrência para a construção do Canal do Sertão de Alagoas entre os anos 2013 e 2014, quando o investigado era governador do Estado, cujo contrato atingiu o montante de mais de 33 milhões de reais – valores não corrigidos.

Teotônio, o ‘Bobão’

Identificado como o “Bobão” nas planilhas da Odebrecht, Vilela teria recebido do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira propinas em várias parcelas, algumas já previamente identificadas - uma de R$ 1 milhão e outra de R$ 900 mil. Testemunhos de executivos da construtora fazem parte do inquérito, após autorização do (STF (Supremo Tribunal Federal).

Relatórios do Tribunal de Contas da União também fazem parte do processo. Neles constam preços abusivos em contratos firmados entre o governo do Estado de Alagoas e a Odebrecht.

O Ministério Público [VIDEO] chegou até a requer a prisão preventiva do ex-governador, mas o pedido foi negado pela 2ª Vara da Justiça Federal. Teotônio foi intimado e deve depor nesta sexta-feira, 1º de dezembro. A custódia, por tempo indeterminado do irmão do ex-governador, Elias Vilela, pai do deputado tucano Pedro Vilela, também foi requerida, mas foi igualmente negada.

O alvoroço no ninho tucano

Num momento tão crítico para o PSDB – seu presidente nacional afastado, o senador Aécio Neves é suspeito de envolvimento de práticas ilícitas e hoje exerce seu mandato graças a manobras graciosas de seus pares no Senado –, essa nova denúncia contra uma de suas maiores figuras caiu como uma bomba.

A Polícia Federal também fez buscas no gabinete do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Marco Antônio Fireman. Ele consta na planilha de propinas da Odebrecht como “Fantasma” e foi secretário de Infraestrutura do governo do Estado de Alagoas à época das operações sob suspeita, quando teria ajustado com executivos da empreiteira repasses na ordem de R$ 2 milhões, cujo beneficiário seria Teotônio Vilela.