A cada vez mais provável ocorrência de supostos confrontos entre movimentos sociais ligados ao ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e forças de segurança que deverão garantir a manutenção da lei e da ordem em Porto Alegre, capital gaúcha, parece se tornar um grande problema para as autoridades públicas e também para setores de inteligência do Exército brasileiro.

Um dos principais problemas que preocupam as forças militares, trata-se de uma das mais recentes ameaças feitas por um dos principais dirigentes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stédile. Nesta sexta-feira (05), por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais e repercutido intensamente, o chefe do MST anunciou que a Frente Brasil Popular, que apoia o ex-presidente Lula, convocou militantes para a realização de atos em todo o país, no dia 24 de janeiro próximo, data do julgamento do processo de condenação do ex-presidente Lula, no Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4) [VIDEO], de Porto Alegre, que é o Tribunal de segunda instância.

Vale ressaltar que o ex-mandatário petista foi condenado a mais de nove anos e meio de prisão em regime fechado, além de pagamentos de multas, relacionados ao processo de aquisição por meio de recursos ilegais, de um apartamento tríplex, localizado na cidade de Guarujá, litoral sul do estado de São Paulo. A compra teria sido feita por recursos desviados dos cofres públicos da Petrobrás, através do mega esquema de Corrupção, investigado pela maior operação anticorrupção na história contemporânea do Brasil; a Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A sentença já foi proferida pelo juiz Sérgio Moro, a partir da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná. O magistrado condenou o petista pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

'Luz de alerta' e preocupação no Exército

A convocação feita pelo líder dos Sem Terra, João Pedro Stédile, para que ocorram mobilizações em todo o país, se o ex-presidente Lula tiver sua sentença de condenação confirmada pelo TRF4, acendeu uma "luz de alerta" em setores das Forças Armadas brasileiras.

Um oficial da Inteligência foi categórico, ao afirmar que as instituições militares fazem o acompanhamento das atividades de movimentos como o MST e também de seus líderes, como Stédile, de modo que tudo ocorra "dentro da agenda de trabalho de rotina em todo o país".

Entretanto, vale ressaltar que o alto comando das Forças Armadas recebe regularmente relatórios a respeito de ações provenientes de grupos mais ativos. Há ainda, a preocupação de que as manifestações possam descampar para um confronto direto e até mesmo, violento com a Polícia Militar, além de "pressão além do limite por parte desses grupos, contra o Poder Judiciário e sobre os magistrados, principalmente".