O ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva [VIDEO], será julgado em 2ª instância na próxima quarta-feira (24) pela 8ª Turma Criminal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre. O petista foi condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro [VIDEO], no caso do tríplex no Guarujá, pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. #Lula será julgado por três desembargadores: João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Luis dos Santos Laus.

Conheça quem serão os julgadores de Lula

João Pedro Gebran Neto

O desembargador é o relator da Lava Jato no TRF-4. Neto é curitibano, 52 anos, e trabalha no Tribunal Regional da 4ª Região desde 2013.

Gebran trabalhou no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná entre os anos de 2006 e 2008. Antes disso, foi promotor de Justiça e juiz federal.

Leandro Paulsen

O desembargador é revisor da Lava Jato na 8ª Turma. Com apenas 47 anos, Paulsen é o mais novo entre os julgadores. O desembargador de Porto Alegre iniciou seus trabalhos no âmbito federal, na cidade natal, em 1993. Paulsen foi vice-diretor do Foro da Seção Judiciária do RS durante dois anos, 1998 e 1999. Nos dois anos seguintes, assumiu a direção. O desembargador ingressou no Tribunal Regional Federal da 4ª Região em 2013.

Victor Luis dos Santos Laus

O mais velho entre os desembargadores, com 54 anos, Victor Luis é natural de Joaçaba, em Santa Catarina. Laus foi promotor de Justiça e procurador da República. Chegou ao Tribunal em 2002, quando assumiu a vaga de desembargador.

Estilo do tribunal

Diferente do que é visto com os procuradores da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, que são bastante adeptos a mídia, os desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional da 4ª Região são bastante discretos. Entrevistas são negadas e chegam até a evitar a imprensa.

A característica mais marcante do tribunal responsável por julgar Lula em segunda instância é a discrição de seus três integrantes. A abordagem dos desembargadores de comunicação com a imprensa é através de notas oficiais. No meio jurídico, são considerados "mão pesada". Eles costumam redimensionar as condenações de Sérgio Moro para mais.

Cenários para o julgamento

O pior cenário para o ex-presidente é uma eventual condenação no julgamento do dia 24. Caso a segunda instância confirme a sentença proferida por Sérgio Moro, teoricamente, Lula estaria proibido de disputar o pleito presidencial de 2018 com base na Lei da Ficha Limpa. Mesmo condenado, o ex-presidente poderia disputar a eleição caso os recursos em instâncias superiores ainda estejam pendentes.

Caso o ex-presidente seja condenado, a Justiça Eleitoral só poderia barrar uma eventual candidatura após Lula registrá-la. O prazo para o registro de candidatura é 15 de agosto. A Justiça tem até o dia 17 de setembro para julgar todas os pedidos.

"Ninguém antecipa indeferimento de registro [de candidatura]. Aconteça o que acontecer no TRF-4", disse o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira ao UOL.

O melhor cenário para o ex-presidente seria a absolvição de Lula pelos três desembargadores. Nessa situação, somente uma instância superior poderia mudar o julgamento, o que não deveria ocorrer até a oficialização das candidaturas.

Caso pelo menos um dos desembargadores vote pela manutenção da condenação, o Ministério Público Federal (MPF) poderia entrar com recursos ainda no TRF-4 e manter o processo em segunda instância por mais algum período. Esse cenário também tornaria difícil o fim do julgamento nas instâncias superiores antes das eleições, o que abriria espaço para a candidatura do ex-presidente. #Dentro da política