A vida tanto pessoal quanto política de Lula [VIDEO] terá um capítulo decisivo na próxima quarta-feira (24), quando o ex-presidente será julgado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região [VIDEO], em Porto Alegre, às 8h30. O julgamento será da apelação por parte da defesa do petista contra a condenação proferida pelo juiz Sérgio Moro, em primeira instância, a nove anos e seis meses de prisão pelo crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no que ficou conhecido popularmente como caso tríplex.

Sérgio Moro condenou Lula no dia 12 de julho de 2017, porém, o processo já vinha sendo analisado desde setembro de 2016, quando o Ministério Público Federal (MPF) ofereceu a denúncia no âmbito da Lava Jato.

Segundo o MPF, o ex-presidente teria recebido propina no valor de R$ 3,7 milhões em troca de três contratos entre a construtora OAS e a Petrobras. Esse valor tera sido repassado por meio de uma reforma em um tríplex na cidade litorânea do Guarujá, em São Paulo, e o pagamento pelo armazenamento, entre 2011 e 2016, de presentes recebidos por Lula durante os anos em que esteve comandando a presidência. Lula foi condenado pelo tríplex, mas foi absolvido por Moro no caso do armazenamento.

Polêmico PowerPoint

As polêmicas envolvendo esse caso aparecem desde o momento em que o MPF foi apresentar a denúncia à imprensa. O famoso momento do powerpoint em que todas as setas apontava para Lula, que estava no centro da imagem, aconteceu no dia 14 de setembro de 2017. Em uma das imagens, Lula era definido como "comandante máximo do esquema investigado pela Lava Jato".

Como resposta, Lula e os advogados de defesa criticaram os procuradores do MPF pela apresentação, que até piada na internet virou. No âmbito judicial, o ex-presidente processou o chefe da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, por conta dessa apresentação. Lula pedia R$ 1 milhão de indenização. A Justiça negou sua solicitação em dezembro de 2017.

O Ministério Público Federal baseou a denúncia em itens encontrados na casa do ex-presidente Lula, após cumprimento de mandados de busca e apreensão, e informações obtidas em depoimento, no dia 4 de março de 2016, data que ficou marcada pela ordem de condução coercitiva do petista.

Réu

No mesmo dia, horas após a ação da polícia, o ex-presidente fez um pronunciamento e soltou a famosa comparação de si com uma jararaca: Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva".

No dia 20 de setembro, menos de uma semana após apresentada a denúncia, o juiz Sérgio Moro a acolheu e tornou Lula e mais sete réus.

Entre eles, dona Marisa Letícia, ex-primeira dama e esposa falecida de Lula. Com a sua morte, ela teve sua punibilidade extinta por Moro, que não lhe atribuiu a absolvição sumária.

O processo ouviu 99 testemunhas, sendo 26 de acusação e 73 de defesa. Entre as testemunhas, dois nomes chamam a atenção. Delcídio do Amaral, ex-senador cassado e preso no exercício do mandato, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ambos prestaram depoimento como testemunhas de acusação, o primeiro do MPF, o segundo de Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula à época.

Lula e Sérgio Moro ficaram cara a cara no dia 10 de maio, em depoimento que durou quase cinco horas.

Sentença

O Ministério Público Federal pediu a condenação de Lula em suas considerações finais. Enquanto a defesa continuou a negar a posse do apartamento e a criticar uma "perseguição política" sofrida pelo ex-presidente. Após ser condenado por Moro, Lula afirmou: "Nunca acreditei que ele fosse me absolver".

Agora, resta a Lula as instâncias superiores para conseguir provar sua inocência ou não.