Com receios de ocorram enfrentamentos e supostas ameaças que visem a desestabilizar a capital gaúcha e a ordem pública, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marquezan Júnior, do PSDB, resolveu agir, de modo contundente, em relação à data do julgamento previsto do ex-presidente da República [VIDEO] Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

O prefeito, ao se deparar com a possibilidade de que a cidade corra sério risco, principalmente, devido à ameaças já divulgadas e repercutidas intensamente nas redes sociais tomou uma atitude que possa garantir a segurança na cidade. As ameaças partem de entidades ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT), como, por exemplo, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Um de seus principais dirigentes chegou a afirmar à imprensa, através de uma nota emitida no próprio site da entidade, de que o movimento não aceitaria uma eventual condenação do ex-presidente Lula em segunda instância.

Solicitação de ação das Forças Armadas

O prefeito Nelson Marquezan decidiu por encaminhar uma solicitação expressa ao Exército brasileiro e à Força Nacional para que possam atuar conjuntamente no dia do julgamento do ex-presidente Lula, previsto para 24 de janeiro próximo. O ex-mandatário deverá ser julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), de Porto Alegre, no julgamento em segunda instância em relação ao caso tríplex do Guarujá (SP).

Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão em regime fechado, além do pagamento de multas, cuja sentença foi proferida em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, no âmbito dos processos que estão sob a força-tarefa de investigação da Operação Lava Jato [VIDEO], da Polícia Federal.

A Lava Jato é considerada a maior operação anticorrupção em toda a história contemporânea do país e reconhecidamente uma das maiores operações já realizadas em todo o mundo.

Ela visa o combate a crimes relacionados de colarinho branco, como o caso do mega escândalo de Corrupção da Petrobras, que culminou na sangria dos cofres públicos da maior estatal brasileira, durante as administrações petistas, nos governos Lula e Dilma Rousseff. Vale ressaltar que a Lava Jato é julgada em primeira instância no Paraná pelo juiz Sérgio Moro, a partir da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba.

Entretanto, o TRF4 de Porto Alegre irá se posicionar no dia 24 para que confirme ou reforme a sentença do juiz paranaense. Em caso de condenação, Lula, além de se tornar inelegível e ver seus planos para a disputa presidencial em 2018 literalmente, irem por água abaixo, poderá ter, até mesmo, a prisão decretada.

Cidade mobilizada

O prefeito da capital gaúcha, Nelson Marquezan, se manifestou sobre sua solicitação às Forças Armadas, ao afirmar que, devido às manifestações provenientes de líderes políticos aliados de Lula, que convocam uma invasão de Porto Alegre, essa medida foi tomada como proteção ao cidadão e o patrimônio público.

Em seu pedido, o prefeito foi ainda mais longe, ao considerar que existiram ameaças de desobediência civil e lutas propugnadas nas redes sociais, por parte de alguns políticos e senadores da República, como também ameaças de ocupação de espaços públicos municipais por diversos movimentos sociais.

Entretanto, há uma decisão em vigor, proferida pelo juiz Osório Ávila Neto, que proíbe o MST, conforme solicitação da Procuradoria da República, em que deve ser interditado um dos parques da cidade para instalação do movimento.