Faltando menos de uma semana para o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, que terá o seu futuro político decidido pelos juízes do TRF-4, em Porto Alegre, na próxima quarta-feira, os políticos e militantes do PT têm reforçado o discurso de perseguição ao líder do partido. Nesta linha, o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava-Jato [VIDEO] no Rio de Janeiro, pontuou críticas a um discurso do senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Por meio do seu perfil pessoal no Facebook, o senador fez comentários sobre o julgamento de Lula e aconselhou a militância petista a agir nos desdobramentos da sentença.

Lindbergh chegou a dizer que a esquerda "precisa estar mais preparada para o enfrentamento, para a luta das ruas", o que gerou a insatisfação de Bretas também pelas redes sociais.

"É apenas uma impressão minha ou há senadores conclamando o enfrentamento nas ruas e conclamando grupos para atos de violência? Não penso que isso seja um padrão normal em um estado democrático de direito", escreveu o juiz, no Twitter, sobre o vídeo postado pelo senador petista.

Confira a postagem de Marcelo Bretas na rede social:

Segurança tem sido tema de preocupação entre as autoridades

Poucas vezes um julgamento foi tão aguardado e teve tanto clamor popular no Brasil.

De um lado, os militantes e simpatizantes do PT veem injustiça e torcem por uma absolvição de seu principal líder. Do outro, os críticos a Lula esperam que o TRF-4 mantenha a pena de nove anos e seis meses de prisão imposta por Sérgio Moro, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro que o ex-presidente teria cometido no caso do tríplex, no Guarujá.

Nas redes sociais, algumas ameaças aos familiares dos juízes que trabalharão na sentença do dia 24 foram vistas, o que reforçou a preocupação da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). A entidade pediu apoio do Superior Tribunal Federal (STF) para reforçar a segurança do prédio do TRF-4 na próxima quarta-feira - muitas manifestações, inclusive em Porto Alegre, devem ocorrer nas principais cidades brasileiras no dia 24.

"Há um alarde desnecessário sobre o julgamento, tendo em vista que o Brasil é pródigo em recursos. No caso de confirmada a condenação, há a possibilidade de recurso dentro do STJ, dentro do STF, e, dependendo de maioria ou não, até mesmo dentro do próprio tribunal.

É preciso que a magistratura tenha condições de fazer seu trabalho com segurança e tranquilidade", alertou Roberto Veloso, presidente da Ajufe, nesta semana.

Lula não deve ir

A defesa de Lula desaconselhou o presidente a acompanhar in loco o julgamento em Porto Alegre. Por uma razão muito simples: o ex-presidente não terá espaço para se pronunciar durante a sessão, muito embora os advogados tenham tentado essa demanda ao tribunal. Assim, o PT não vê necessidade de Lula ir apenas para assistir. Ele deve acompanhar o desenrolar do julgamento em São Paulo.

Dois dias depois da decisão do TRF-4, Lula tem viagem marcada para a Etiópia, onde prestigiará um evento da FAO sobre combate à fome. José Graziano, seu ex-ministro, é o atual diretor-geral da entidade e fez o convite pela participação de Lula [VIDEO]. Na web, a interpretação de que o ex-presidente quer estar distante dos desdobramentos de sua sentença no TRF-4 - até mesmo o deputado federal Jair Bolsonaro fez um vídeo colocando em dúvida os reais objetivos desta viagem.

Caso seja condenado, Lula pode ficar impedido de disputar as eleições por conta das regras da Lei da Ficha Limpa, o que cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar. Até o momento, o petista lidera todas as pesquisas prévias à presidência da República.