Neta quarta-feira (31), um encontro de extrema relevância reuniu associações de magistrados, juízes e procuradores federais, em Brasília, no Distrito Federal. Segundo as associações que se fizeram representar no encontro na capital do país, as declarações do ex-presidente da República [VIDEO], Luiz Inácio Lula da Silva, acabam acarretando muito mais "tumulto" em relação ao processo que o ex-mandatário petista responde juntamente à Justiça e ao Poder Judiciário do país. Recentemente, o petista afirmou que não estaria vislumbrando nenhuma razão para que pudesse respeitar a decisão tomada pela Oitava Turma de desembargadores federais do Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4), sediado em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

Vale lembrar que os votos de três desembargadores federais aptos para o julgamento relacionado à confirmação da condenação do ex-presidente Lula por crimes de "colarinho branco" no mega escândalo de Corrupção da Petrobras, foram fundamentais para que o ex-mandatário se tornasse inelegível, embora ainda existam alguns recursos, além de um sério risco de que seja decretada a sua prisão. Desvios bilionários e repasses feitos por empreiteiras proporcionaram que Lula fosse beneficiado ilicitamente pela aquisição de um apartamento de luxo tríplex na cidade de Guarujá, no litoral sul do estado de São Paulo. O processo que culminou na condenação de Lula por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ocorre no âmbito das investigações da força-tarefa da Operação Lava Jato [VIDEO], da Polícia Federal, cujo comando está sob condução do juiz Sérgio Moro, magistrado titular da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná.

Juízes federais e procuradores se manifestam

As associações de juízes e procuradores que se reuniram nesta quarta em Brasília, criticaram abertamente o ex-presidente Lula e deixaram um "forte" recado dirigido ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para as entidades presentes no encontro, o Supremo Tribunal Federal (STF) não deve pautar qualquer revisão relacionada à possibilidade de execução de pena, como por exemplo, a prisão, após esgotados os recursos em Tribunais de segunda instância.

Segundo Roberto Veloso, presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), a lei deve ser respeitada e quem zela pelo cumprimento da lei, é o próprio poder Judiciário. Já o presidente da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), Jayme de Oliveira, a decisão judicial sempre irá desagradar a alguém, pois é natural que o réu venha a reagir e fique insatisfeito. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, atacar a Justiça é também atacar a democracia.

A defesa de Lula, por meio de seu advogado Cristiano Zanin Martins, afirmou que ficou extremamente preocupada com as várias manifestações de associações de procuradores e juízes, a respeito do mérito de ações judiciais que envolvem o ex-presidente Lula.