Porto Alegre será palco do evento político mais importante dos últimos tempos no Brasil. Não se trata de uma nova eleição ou de um comício de uma grande figura humanitária. O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, será julgado na capital dos gaúchos no próximo dia 24, em um dos julgamentos mais aguardados da história recente, que tem mobilizado a opinião pública tanto por parte de seus apoiadores como pelos contrários ao líder petista.

A tendência, por óbvio, é que muitos militantes do Partido dos Trabalhadores e apoiadores de Lula estejam em Porto Alegre no dia 24 e até mesmo antes como forma de concentrar apoio ao presidente - que pode ser condenado pelo TRF-4 em segunda instância no processo oriundo da Operação Lava-Jato e com isso ficar impossibilitado de concorrer as eleições presidenciais do segundo semestre.

Temendo confronto entre simpatizantes [VIDEO] e opositores - e uma possível ameaça à ordem pública da cidade de Porto Alegre -, o prefeito Nelson Marchezan Jr solicitou oficialmente o envio de homens da Força Nacional e do Exército para garantirem a segurança no dia 24. Na última quarta-feira, 3, ele fez o pedido de maneira oficial ao Governo Federal. Já ao Estadual, o tucano solicitou mobilização da Brigada Miitar e da Polícia Civil.

No ofício enviado aos poderes públicos citados, tanto na esfera nacional como regional, Marchezan defende que “diante da ocupação dos espaços públicos por integrantes de movimentos políticos e sociais, devemos requerer a atuação das forças de segurança para preservar a integridade dos cidadãos e do patrimônio coletivo. Precisamos garantir regularmente o funcionamento de Porto Alegre neste período".

O prefeito toma por base os dias de depoimento de Lula ao juiz federal Sérgio Moro, responsável direto pelas investigações e punições da Lava-Jato. Em mais de uma ocasião em Curitiba, a simples presença do ex-presidente da República levou multidões de apoiadores às ruas e o clima ficou tenso na região. O tucano quer evitar que algo similar aconteça em Porto Alegre no dia 24 [VIDEO].

Condenado a 9 anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex, Lula fica impossibilitado de participar das eleições se caso o TRF-4, em segunda instância, manter ou até mesmo aumentar a pena instituída por Moro.

PT reage com força

As principais lideranças do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul reagiram com muita contrariedade à soliticação de Marchezan para o dia do julgamento de Lula. Pepe Vargas, deputado federal e presidente do PT no RS, foi um dos mais irritados conforme entrevista concedida ao portal GaúchaZH - publicada nesta quinta-feira.

"Seria ridículo, não fosse grave, essa solicitação do prefeito.

Me admira um gestor público ter tamanho desconhecimento e achar que pode solicitar a Força Nacional em dia de manifestações. A Força Nacional tem preocupações bem maiores", resumiu.

Outras figuras de suma importância do PT como a senadora e atual presidente da sigla Gleisi Hoffmann, bem como o ex-presidente da legenda, Rui Falcão, também se manifestaram nas redes sociais mostrando insatisfação com a postura do prefeito de Porto Alegre.

A narrativa dos petistas se mantém no discurso de que Marchezan e os contrários à Lula estão com "medo do povo". A tendência é que uma grande mobilização de apoiadores e simpatizantes do PT ocorra pelo Brasil durante e depois do julgamento. Vale lembrar que, até agora, faltando menos de um ano para a nova eleição presidencial, Lula está liderando em todos os cenários possíveis e com relativa folga aos rivais.