O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, viverá um dos capítulos mais importantes de sua trajetória política no próximo dia 24. Em Porto Alegre, sede do TRF-4, ocorrerá o julgamento em segunda instância do processo em que foi condenado ainda no passado a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro, principal responsável pelas investigações da Operação Lava-Jato. A punição decorre dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do triplex do Guarujá.

Mas, segundo informações publicadas nesta quarta-feira, 10, no jornal Estadão, Lula não estará presencialmente em Porto Alegre acompanhando o desenrolar do julgamento - que já é bastante aguardado pelos militantes.

A tendência é que o líder petista permaneça em São Paulo acompanhando os fatos, isso porque o rito não permitirá a defesa de Lula. Apesar dos pedidos da defesa ao júri [VIDEO], para que Lula possa se manifestar, o tribunal até agora não acatou a demanda.

Então, a leitura dos principais líderes petistas é que não faz sentido Lula vir a Porto Alegre apenas para ficar sentado sem poder falar nada enquanto o tribunal trabalha. Alguns advogados já aconselharam o presidente a não fazer a viagem, até como forma de ter cautela para evitar aumentar ainda mais o clima hostil.

"A possibilidade de Lula estar em Porto Alegre para participar presencialmente do julgamento sempre esteve condicionada à chance dele falar ao tribunal. Não tem razão ele ficar lá apenas para olhar. As manifestações que estamos organizando na cidade acontecerão como forma de apoio, mas não terão a presença de Lula", explicou o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do partido na Câmara dos Deputados.

Eleições no horizonte

Em mais de uma ocasião desde o ano passado, Lula manifestou publicamente o seu desejo de participar das eleições presidenciais marcadas para o segundo semestre de 2018. Nas pesquisas prévias feitas por diferentes institutos - e em diferentes cenários -, Lula lidera com sobras e seria um nome certo para um eventual segundo turno. Mas sua participação no pleito depende diretamente do resultado do tribunal no dia 24.

Caso o TRF-4 mantenha ou até amplie a pena aplicada por Moro a Lula, o presidente acabará violando as regras da Lei da Ficha Limpa, ficando inelegível pelos critérios vigentes. Mesmo assim, ele poderá permanecer em campanha até que todos os embargos feitos pelos seus advogados sejam analisados pela Justiça.

Se condenado e impedido de concorrer, Lula deverá ser "usado" pelo PT como um forte cabo eleitoral na perspectiva de "perseguição política". Nesta linha, o partido precisaria estabelecer um novo nome para o pleito. O ex-ministro e governador da Bahia, Jacques Wagner, surge como uma opção até pela tradição que tem no Nordeste - tradicional reduto de votos do PT.

Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, concorreria ao Senado Federal e coordenaria o programa de governo.

Faltando duas semanas para o julgamento, o PT e a Frente Popular iniciaram uma forte campanha na internet para limpar a imagem de Lula e passar a ideia de que ele está sendo injustiçado. Com o lema "Cadê a prova?", eles criticaram a arbitrariedade da justiça brasileira e convocam apoio dos militantes independentemente do resultado do dia 24.

O clamor popular ao redor desse julgamento preocupou até as autoridades de Porto Alegre. O prefeito Nelson Marchezan Jr (PSDB-RS) chegou a pedir apoio da Força Nacional e do Exército, em ofício despachado ao Governo Federal. Em sua análise, seria preciso zelar pela "ordem pública" [VIDEO] em um eventual confronto entre militantes. O Planalto desconsiderou a demanda.