Embora muita gente tenha começado a comemorar uma eventual e remota prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes mesmo da metade de seu julgamento no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), a verdade é que o político não só não será preso, como poderá continuar com as suas viagens políticas pelo Brasil.

O julgamento desta quarta-feira, 24 de janeiro, não gera decisão transitada em julgado, ou seja, cabe recursos, pois ainda não é uma condenação definitiva. O mesmo vale para a esfera eleitoral, em que o PT (Partido dos Trabalhadores) poderá inscrever Lula como candidato à Presidência da República e recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para tentar manter a sua candidatura.

O TSE tem até setembro para decidir o caso, inclusive, dando uma oportunidade para que o PT ou qualquer outro partido com candidatos na berlinda possa trocar o representante para disputa nas eleições 2018.

Recorrer, entretanto, não garante deferimento dos pedidos recursais, mas atrasa ao máximo os prazos, o que gera benefícios ao ex-presidente.

O que acontecerá após a decisão do TRF-4

Pouco antes das 17h, o segundo dos três desembargadores do TRF-4 confirmou a sentença definida pelo juiz Sérgio Moro na primeira instância. Lula poderá continuar em liberdade, dependendo da decisão da segunda instância. Segundo o STF (Supremo Tribunal Federal) e MP (Ministério Público Federal), ele não apresenta perigo de fuga.

O que ainda não se sabe é se seu passaporte será cancelado, pois o político tem uma viagem de campanha para a África.

O petista ficará apenas dois dias no continente africano, retornando ao Brasil em seguida.

Mesmo com a condenação, Lula pode continuar a sua campanha política, enquanto aguarda o julgamento dos recursos apresentados. Ter sido condenado em primeira instância, com confirmação de sentença em segunda instância, não significa que a pena precisa ser cumprida com restrição de liberdade imediata.

Lula também pode se preparar para ser candidato à Presidência e recorrer ao TSE para evitar a impugnação da candidatura. Na pior das hipóteses, ou seja, na prisão do ex-presidente até setembro deste ano, o PT pode indicar uma outra pessoa para representar Lula.

Embora o político seja muito maior que o partido e tenha grande preferência em uma disputa eleitoral, outros candidatos do PT podem sofrer alguma resistência do eleitorado. Até o momento, os nomes que podem ser indicados para o embate, no caso da prisão do ex-presidente, são de Jacques Wagner e Fernando Haddad.

Quem se beneficia com a condenação de Lula?

Os principais algozes de Lula, como Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso, ambos do PSDB, já declararam que uma eleição sem o ex-presidente não seria a mesma coisa.

Porém, alguns políticos que buscam notoriedade para conquistar eleitores defendem ferrenhamente que o petista não dispute as eleições, mesmo que seja para perder.

Esse é o caso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), também pré-candidato à Presidência, que, após ver sua vida ser exposta pelo jornal O Globo, com divulgação de funcionária fantasma, enriquecimento milionário e recebimento de auxílio moradia, mesmo possuindo apartamento próprio em Brasília, acabou desgastando a imagem do político que sempre afirmou ser transparente e diferente de seus algozes.

A próxima eleição pode ser uma grande surpresa para a política nacional, pois terá figuras conhecidas, em sua maioria com credibilidade duvidosa por conta de algum recente escândalo.