O Ministério Público Federal foi enfático e contundente ao responder a uma solicitação formulada pela defesa do ex-presidente da República [VIDEO], Luiz Inácio Lula da Silva. Os defensores do ex-mandatário petista queriam ouvir em depoimento, através de um recurso encaminhado à segunda instância, o advogado do grupo Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran. Conforme a solicitação dos defensores de Lula, Tacla Duran deveria falar a respeito de uma ação referente a um processo de recibos. De acordo com os defensores, o advogado Tacla Duran teria apontado que erros teriam ocorrido no sistema de pagamento eletrônico, em se tratando de propinas oriundas da empreiteira Odebrecht [VIDEO].

Tacla Duran teria trabalhado na maior construtora do País durante o período que compreende os anos de 2011 a 2016. Ainda de acordo com o advogado que possui nacionalidades brasileira e espanhola e que está na Espanha, a cópia entregue se referiria ao original do sistema. Os advogados de defesa do ex-presidente Lula requisitaram ao juiz Sérgio Moro uma solicitação para que Rodrigo Tacla Duran seja ouvido em audiência, já que as acusações dele referentes ao sistema de propinas da Odebrecht estariam conectadas às acusações que fazem parte do inquérito contra o ex-presidente petista. A respostá de Sérgio Moro foi categórica, ao afirmar que "não seria digna de crédito" a palavra dada de Duran, já que o mesmo teve prisão preventiva decretada em 2016 e vive atualmente foragido em terras espanholas.

Resposta do Ministério Público rejeita insinuações da defesa de Lula

Vale ressaltar que tanto Tacla Duran, quanto o ex-presidente Lula, são réus em processos que estão sob a jurisdição de Moro, na primeira instância, em Curitiba, sob a Lava Jato. Lula é réu devido a um mega esquema de Corrupção com referência a 8 contratos firmados entre a Odebrecht e a Petrobras. Já Duran é réu em processo que se caracteriza na acusação de práticas criminosas de lavagem de dinheiro. Duran chegou a acusar o advogado Carlos Zucolotto, padrinho de casamento do juiz Sérgio Moro, de ter realizado "intermediação de negociações com base em seu relacionamento com a força-tarefa da Operação Lava Jato". Zucolotto negou, de modo veemente, as acusações. Já o juiz Sérgio Moro afirmou que seria algo "lamentável dar credibilidade a um acusado que se encontra foragido".

O MPF foi contundente ao afirmar que "a defesa de Lula em nenhum momento e concretamente teria demonstrado a imprescindibilidade da realização do depoimento", segundo o procurador regional Luiz Felipe Hoffmann, por meio de um parecer que rejeita a solicitação da defesa petista.

A Procuradoria Regional da República, da Quarta Região, também apresentou seu parecer, nesta terça-feira (9).

O procurador Sanzi defendeu a decisão tomada pelo juiz Sérgio Moro e afirmou que "o juiz é o magistrado destinatário da prova, da evidência obtida e que pode rejeitar a produção ou realização das que se mostrarem de caráter protelatório, irrelevante ou até mesmo, impertinente". O MPF afirmou, por meio da segunda instância, que a defesa de Lula não apontou a participação de Tacla Duran no processo dos recibos. O procurador Sanzi disse que Duran "seria um criminoso foragido no exterior, com prisão de caráter preventivo decretada contra si, o que não colabora, na transmissão de credulidade às suas declarações".