O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato do Rio de Janeiro, entrou com um questionamento no Ministério Público Federal (MPF) sobre as ameaças e incitação à violência que o senador Lindbergh Farias está cometendo pelas redes sociais, como uma forma de pressionar os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e outras autoridades, dias antes do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bretas ironizou o fato dizendo o seguinte: "É só uma impressão ou há senadores da República conclamando grupos de pessoas para atos de violência?".

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Depois ele disse que isso é totalmente estranho para um país democrático e foge do padrão racional.

Lindbergh postou um vídeo em sua página do Facebook enfrentando, segundo ele, um golpe que está tomando conta do país. O senador se descontrolou e disse que apoia os dizeres da senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que a alguns dias atrás comentou que se Lula for preso, pessoas iriam morrer.

O senador quis dar um recado ao Judiciário dizendo que Lula será candidato à Presidência de qualquer jeito e ninguém vai impedir isso. Ele declarou que se for possível, os defensores do ex-presidente tomarão as ruas do país em defesa da democracia.

Justiça temida

Marcelo Bretas disse que a Justiça jamais deverá ser acuada, pelo contrário, deverá ser temida. De acordo com o magistrado, é revoltante e de grande preocupação as ameaças que são feitas numa tentativa de pressionar a Justiça e ele acredita que isso deve ser apurado e feita uma investigação para evitar uma desordem pública no país.

O juiz afirmou que é preciso que haja um respeito dos que cometeram crimes diante das autoridades. Sobre a prisão após condenação em segunda instância, ele disse que não pode ter o seu entendimento alterado na Corte, pois é uma medida muito utilizada pela Lava Jato para amedrontar os criminosos de corrupção.

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Intenso

Nesse ano de 2018, os trabalhos da Lava Jato se tornarão bem mais intensos. Por ser o ano das eleições, vários parlamentares tentarão manter o foro privilegiado para evitarem cair nas mãos de uma Justiça mais rápida, comparada com a do Supremo.

Podem surgir muitas manobras do Congresso Nacional tentando amenizar a vida dos suspeitos de corrupção. Tudo isso deve ser observado e o povo tem que estar atento. O voto será a chance das pessoas mostrarem uma resposta aos corruptos. A urna é um dos mecanismos de combate à corrupção.