Um novo capítulo que resultou em "troca de farpas" entre integrantes do Poder judiciário [VIDEO] e do Poder Legislativo, veio à tona, a partir de discussões e manifestações repercutidas intensamente perante à imprensa e também nas redes sociais. Trata-se de um episódio que gerou "embates" entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do partido Democratas do Rio de Janeiro e um dos principais integrantes da força-tarefa de investigação da maior operação anticorrupção já deflagrada no Brasil e uma da maiores já realizadas em todo o mundo, Deltan Dallagnol, coordenador-geral da Operação Lava Jato [VIDEO].

Vale ressaltar que a Lava Jato é conduzida em primeira instância, pelo juiz Sérgio Moro, a partir da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, capital do estado do Paraná e responsável pela apuração de crimes de "colarinho branco", relacionados ao mega esquema de distribuição de propinas e corrupção que acarretou desvios bilionários e a "sangria" dos cofres públicos da maior estatal brasileira; a Petrobrás.

'Desorganização' da corrupção no Brasil

Recentemente, durante uma viagem oficial realizada à Washington, capital dos Estados Unidos da América, o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia, afirmou, durante entrevista, que o Poder Judiciário brasileiro estaria "desorganizando o país e que "esse protagonismo realizado, de modo excessivo, pelo Poder Judiciário, não seria bom para o Brasil", em alusão ao episódio que culminou na suspensão da posse da deputada federal e presidente do PTB, Cristiane Brasil, filha do deputado Roberto Jefferson, conhecido como o principal delator do esquema de corrupção denominado de "Mensalão" do PT, durante a administração do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Siva, em meados de 2005.

A deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) teve sua posse suspensa para o Ministério do Trabalho do Governo Temer, por decisão judicial, já que teria problemas em relação a processos trabalhistas.

Ao criticar o Judiciário, Rodrigo Maia chegou a afirmar que "logo a sociedade brasileira vai começar a achar que o judiciário pode tudo e que poderá até ser cobrado, em relação à melhorias nas áreas da Saúde e da Educação no país".

Entretanto, o membro do Ministério Público Federal e integrante da força-tarefa da operação Lava Jato, em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, não gostou nada das afirmações ditas por Rodrigo Maia e o rebateu, de modo incisivo e contundente em sua rede social do Twitter, ao afirmar que, na verdade, "o Judiciário estaria desorganizando velhas práticas consideradas fisiológicas e corruptas de elites oligárquicas que acabam controlando o poder no país, até mesmo, ao manipular eleições pelo emprego considerado abusivo do poder de caráter econômico, através de propinas ou fundos bilionários utilizados em campanhas políticas".