Restando poucos dias para a definição no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), de Porto Alegre (RS), denominado de Corte de Apelação, que é tribunal de segunda instância, em que três desembargadores federais irão ter a oportunidade de decidir e selar o futuro político e até mesmo a situação criminal do ex-presidente da República [VIDEO] Luiz Inácio Lula da Silva, uma nova polêmica vem à tona. Trata-se de acusações que haviam sido feitas pelo advogado Rodrigo Tacla Duran, que se encontra na Espanha e está foragido no âmbito dos processos de investigação da força-tarefa da Operação Lava Jato, considerada a maior operação anticorrupção em toda a história contemporânea do país e reconhecidamente uma das maiores operações já desencadeadas em todo o mundo no combate consistente a crimes de colarinho branco.

As ações da Operação Lava Jato [VIDEO] no Paraná são julgadas em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, a partir da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba. Porém, um tema vem repercutindo intensamente perante a opinião pública referente ao advogado Tacla Duran, foragido da Lava Jato e que enfrenta acusação de crimes relacionados à lavagem de dinheiro.

Sérgio Moro e Ministério Público Federal se posicionam

Os defensores do ex-presidente Lula fizeram uma solicitação dirigida à segunda instância para que seja acolhido o depoimento do advogado Rodrigo Tacla Duran. Ele chegou a acusar o padrinho de casamento do juiz Sérgio Moro, em agosto do ano passado, Carlos Zucolotto, de ter intermediado algumas negociações juntamente com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Porém, as acusações de Tacla Duran nunca foram comprovadas. Tanto o juiz Sérgio Moro quanto o Ministério Público Federal se posicionaram contrariamente a ouvir depoimento do advogado Duran, que possui nacionalidades espanhola e brasileira.

A Procuradoria Regional da República se manifestou, através do procurador Luiz Felipe Hoffmann Sanzi, que defendeu a decisão de Moro. Ele afirmou que o juiz é o destinatário das provas e pode negar a realização das que sejam consideradas protelatórias, irrelevantes ou impertinentes. Moro também rejeitou a realização da oitiva com o advogado que está foragido, já que, segundo o magistrado paranaense, as palavras de Tacla Duran não seriam dignas de crédito, já que ele teve sua prisão preventiva decretada, mas fugiu e vive atualmente na Espanha.

O Ministério Público Federal também se expressou sobre o assunto, ao afirmar que a defesa de Lula não explicou o motivo para ouvir o advogado que acusou um amigo do juiz Sérgio Moro. Os procuradores ressaltaram ainda que a defesa de Lula em nenhum momento, de forma concreta, havia considerado a imprescindibilidade do depoimento. Nesse processo, Lula se tornou réu e responde a acusação de Corrupção, que envolve oito contratos de caráter fraudulento firmados entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras.