A procuradora-Geral da República, chefe do Ministério Público Federal [VIDEO](MPF), Raquel Dodge, está se preparando para investigações envolvendo políticos com processos no Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos políticos que estará atrelado nas investigações é o ministro do Governo do presidente Michel Temer, da área de Comunicação, Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab.

Na época em que Rodrigo Janot assumia o comando da Procuradoria foi evidenciado que Kassab tinha recebido em propina da Odebrecht cerca de R$ 17,9 milhões, destinados para a criação do PSD e mais outros tipos de despesas.

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Além do mais, Kassab foi acusado de direcionar obras da Prefeitura de São Paulo para a Odebrecht, como o túnel Roberto Marinho.

Agora, Raquel Dodge prepara uma ação investigativa contra vários políticos, inclusive Kassab.

A procuradora quer arquivos da Polícia Federal que estão sob responsabilidade do juiz federal Sérgio Moro, o juiz da Lava Jato de Curitiba/PR. O documento que Dodge quer é o aplicativo ''MyWebDay'', exclusivo da Odebrecht, que arquivava propinas destinadas a vários políticos [VIDEO]. O sistema descoberto pela PF levou a uma perícia e Dodge quer que os resultados sejam compartilhados com a Procuradoria para tomar as medidas necessárias nos processos. Sérgio Moro detém dos documentos, úteis para ações que serão julgadas no STF.

Gilberto Kassab atrelado a crimes

O ministro de Temer teria recebido, entre os anos de 2008 e 2014, cerca de R$ 23,3 milhões de propina da empreiteira. Os repasses ilícitos estão entre 76 inquéritos autorizados pelo ministro e relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin.

A abertura dos inquéritos se baseou em delação premiada de executivos e ex-executivos da Odebrecht em pedidos formulados por Rodrigo Janot.

Um dos delatores da Odebrecht, Benedito Barbosa da Silva Júnior, enfatizou que no ano de 2013 se encontrou com o atual ministro quando Kassab fez o pedido de uma grande quantia em dinheiro. O objetivo do ministro era que o dinheiro fosse usado em campanhas eleitorais de 2014 e também para a criação de seu partido político. Benedito afirmou que o desejo de Kassab foi atendido e durante alguns meses o ministro recebeu as expressivas quantias em dinheiro.

Em depoimento de outros delatores, foi informada a quantia de R$ 3,4 milhões a Kassab. Os executivos da Odebrecht relataram que os valores foram entregues sem registro eleitoral e que o ministro sabia do esquema corrupto que se envolvia.