Depois de 8 horas e 15 minutos, com direito a uma hora de intervalo, saiu o resultado do julgamento mais esperado dos últimos tempos no Brasil. Já no final da tarde desta quarta-feira, o Tribunal Regional Federal da Quarta Região - TRF4 divulgou sua sentença ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, implicado no processo referente ao tríplex, no Guarujá: 12 anos e um mês de regime fechado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A decisão dos magistrados do TRF-4 não apenas corrobora como amplia a sentença do juiz federal Sérgio Moro, que julgou Lula em primeira instância dentro do âmbito da Operação Lava-Jato, ainda no ano passado.

Na ocasião, a condenação foi por nove anos e seis meses, pelos mesmos crimes. Nesta quarta, votaram por unanimidade contra o recurso apresentado pela defesa do líder petista os desembargadores João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor dos Santos Laus.

Apesar da grande concentração de militantes e simpatizantes a Lula em Porto Alegre, cidade que sedia o prédio do TRF4, não foram registradas ocorrências de maior gravidade. Na terça, véspera do julgamento, um grande ato no centro da cidade com as presenças de Lula e Dilma Rousseff, por exemplo, marcou a mobilização do PT em resistência à condenação do ex-presidente, que acabou de fato ocorrendo.

No entanto, Lula não será preso imediatamente - os próprios desembargadores deixaram claro o procedimento ao longo da sessão. Uma eventual prisão só virá a ocorrer quando esgotarem todos os recursos da defesa dentro do tribunal.

Como o placar da votação foi de 3x0, portanto unânime, o ex-presidente não tem a possibilidade de entrar com embargos infringentes, mas pode pedir os chamados "embargos declaratórios", que se trata apenas de mais informações e esclarecimentos sobre a condenação.

Voto de mais de três horas

João Pedro Gebran Neto, relator do processo e desembargador do TRF4, até pediu desculpas por ter se alongado demasiadamente durante o seu voto. A conclusão de sua decisão só foi dada depois de três horas e meia, em um relatório de 430 páginas, que não foi lido na íntegra.

“A eleição de um candidato [VIDEO], em especial se caso vier a se tratar de um presidente da República, dá à população a esperança de dias melhores. Críticas merecem, então, todos aqueles que praticam atitudes contrárias às ideias republicanas, mesmo tendo em mente que esta corrupção vem em um contexto muito mais amplo", disse Gebran em um trecho de sua fala.

Gebran também fez questão de ressaltar um "estreito vínculo" entre Lula e Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.

Para sustentar sua posição, o desembargador citou obras que a empresa foi favorecida com relação à Petrobras. Através de propina, Lula teria ganho a "reserva" de um apartamento no litoral paulista reformado para ele e sua ex-esposa, Marisa Letícia.

Eleição possível?

Apesar da condenação, Lula [VIDEO] ainda tem chance de se candidatar à presidência, conforme já manifestada sua intenção anteriormente. Apesar de incorrer na Lei da Ficha Limpa, o PT poderá inscrevê-lo e a candidatura terá validade enquanto houver recursos pendentes contra a sentença - esses recursos podem atingir outras instâncias como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá de dar a palavra oficial sobre o tema.

Além de Lula, também foram condenados o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, que pegou 3 anos e seis meses, além de Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor da empresa, que terá reclusão de 1 ano e 10 meses. O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, foi absolvido.