A Câmara dos Deputados [VIDEO], atualmente, pode se 'orgulhar' de ter três dos seus integrantes presos no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. Os deputados Paulo Maluf (PP-SP), Celso Jacob (MDB-RJ) e João Rodrigues (PSD-SC) foram condenados por crimes diversos e se encontram encarcerados, no momento. Para piorar a situação, a trinca mantêm seus mandatos na Casa Legislativa, mesmo sendo impedidos de comparecer para trabalhar. Contrária a essa situação, a Rede Sustentabilidade entrou com um processo no Conselho de Ética da Câmara solicitando a cassação dos presidiários.

O partido da pré-candidata à Presidência da República, Marina Silva, entrou com o pedido de quebra de decoro parlamentar junto ao Conselho de Ética.

Segundo a peça entregue pelo partido, os deputados não estão aptos em sua plenitude a cumprir com as obrigações do mandato. Isso atenta contra o conceito de representatividade popular, diz a Rede.

Giovanni Mockus, dirigente do partido responsável por protocolar o pedido de cassação, afirmou que existir "deputados-presidiários" feria a honra da Câmara e transformava a situação do Legislativo Federal em "vexatória".

Condenações

O deputado Paulo Maluf foi condenado em maio do ano passado a sete anos e nove meses de prisão, em regime fechado, pelo crime de lavagem de dinheiro. A condenação veio em 2017, mas diz respeito a crimes cometidos pelo político durante seu mandato na Prefeitura de São Paulo, entre 1993 e 1997. Segundo a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, Paulo Maluf ocultou e dissimulou” valores provenientes de corrupção passiva equivalentes a US$ 170 milhões.

O segundo deputado-presidiário, Celso Jacob, foi condenado, em junho pelo Supremo, a 7 anos e dois meses, em regime semi-aberto, pelos crimes de falsificação de documentos e dispensa indevida de licitação . A condenação se deu por crimes cometidos enquanto ele era prefeito da cidade de Três Rios, no Rio de Janeiro. O crime ocorreu durante a construção de uma creche. A licitação inicial foi feita e vencida pela Engemar, que abandonou a execução pela metade. Na sequência, o prefeito dispensou a licitação para o término da obra.

Já João Rodrigues foi condenado a cinco anos e três meses de prisão, em regime semi-aberto, pelos crimes de fraude e dispensa irregular de licitação. A condenação em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), ocorreu em 2009, mas só na última terça-feira (6) o Supremo confirmou. Rodrigues chegou a ser prefeito de Pinhalzinho, em Santa Catarina, e foi durante seu mandato que o crime aconteceu. Ele é acusado de dispensar licitação para a alienação de uma retroescavadeira e ao comprar uma nova.

Preso

João Rodrigues foi preso na última quinta-feia (8), mas não perdeu a pose de deputado. O parlamentar entrou com um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal solicitando a manutenção de seu mandato até dezembro de 2018, quando se encerra a atual legislatura.

O deputado quer a mesma "mordomia" oferecida a seu companheiro parlamentar de presídio, Celso Jacob, que por ter sido sentenciado ao regime semi-aberto, exercia as funções de deputado durante o dia e a noite dormia na cadeia. É com essa prerrogativa que a defesa de Rodrigues se apoia.

Curiosamente, Jacob teve esse direito revogado após ter sido pego levando queijo provolone e biscoito dentro das calças para o presídio. O parlamentar do MDB ficou quase seis meses, entre julho e novembro do ano passado, trabalhando na Câmara durante o dia e dormindo no presídio. Nos finais de semana e feriados, Jaboc era só mais um presidiário da Papuda.