Recém-empossado na chefia do novo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann [VIDEO] tomou sua primeira decisão à frente ao cargo nesta terça-feira, dia 27. Com a transferência da Polícia Federal (PF) da jurisdição do Ministério da Justiça para a nova pasta, Jungmann optou por trocar o comando do órgão, substituindo Fernando Segovia pelo ex-diretor executivo da PF, Rogério Galloro.

A troca no cargo foi realizada após o presidente Michel Temer (MDB) conceder liberdade para Jungmann tomar as decisões à frente do novo cargo. Isso porque, segundo fontes que circulam no Planalto, Temer estaria propenso a manter Segovia no comando da corporação.

Ainda nesta segunda-feira, dia 26, a Justiça também negou pedido da ação apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) que solicitava que Segovia fosse demovido do cargo.

Até ontem, Temer também não parecia disposto [VIDEO] a permitir a queda do então diretor-geral da PF, mas a situação parece ter mudado de figura após a decisão de Jungmann, que optou pela troca após as recentes polêmicas surgidas após uma entrevista concedida por Segovia no início do mês, onde afirmou que a PF iria arquivar o inquérito contra o presidente. As respostas repercutiram mal junto à opinião pública e à oposição, que enxergou um suposto favorecimento de Segovia ao presidente.

Além de ser a primeira medida de Jungmann na nova pasta, a decisão de trocar o comando da PF também pode ser vista como um sinal de que o Governo não pretende aceitar mais deslizes em um período em que tenta recuperar o apoio da opinião pública com ações que visam a segurança da população, como a criação do novo ministério a decisão de decretar intervencão federal na segurança do estado do Rio de Janeiro.

Para analistas e políticos, as ações podem ser a última cartada de Temer para tentar recuperar o prestígio e talvez concorrer à reeleição na corrida eleitoral de outubro. O presidente tem experimentado alta impopularidade desde que assumiu o cargo após a queda da ex-presidente Dilma Rouseff (PT), de quem era vice. Recentemente, Temer havia focado todas suas forças na tentativa de aprovar o projeto da reforma da Previdência Social. Com a decisão de decretar a intervenção federal no Rio, o governo fica impedido de realizar alterações na Constituição, o que impede a eventual votação e aplicação da reforma, antes considerada uma das principais bandeiras do governo Temer.