Nesta última quarta-feira, 21 de fevereiro, o mesmo tribunal que condenou Lula em 12 anos e um mês de prisão, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu sequestrar os bens da filha e da enteada do ex-ministro do PT, Antonio Palocci. O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Operação Lava Jato em segunda instância, avaliou que há um ''erro grotesco'' nas contas das mulheres: há índices suficientes que comprovam a origem ilícita dos imóveis.

Gebran Neto estava ao lado dos desembargadores Nivaldo Brunoni e Antônio Bochenek, que substituem as férias Victor Laus e Leandro Paulsen. O entendimento no julgamento que ocorreu no Ministério Público Federal (MPF) de Porto Alegre é de que os bens sequestrados de Antonio Palocci não foram suficientes para cobrir as acusações na Justiça.

Agora, a enteada e a filha do petista se encrencam na Justiça com os imóveis bloqueados.

Segundo a denúncia do Ministério Público [VIDEO], os parentes de Palocci adquiriram imóveis de luxo em São Paulo com dinheiro vindo de propinas. A filha e a enteada conseguiram o dinheiro diretamente de Palocci, no entanto a defesa afirma que o valor foi referente a uma ''doação oficialmente comprovada na Justiça''.

A palavra da defesa afirmou que o MPF nunca abriu uma investigação sobre o caso para apurar da melhor forma. O advogado disse que irá recorrer no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Denúncia

Antonio Palocci já foi acusado em duas ações penais que ocorrem na Justiça. Seus crimes são de corrupção e lavagem de dinheiro. Em uma das ações ele é suspeito de fazer acordos ilegais através de contratos com a empreiteira Odebrecht.

Em outra ação ele teria sido o intermediador no pagamento de propina que resultou a compra de um terreno, que mais tarde se tornou a sede do Instituto Lula.

Palocci já foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro, sua defesa alega que ele é inocente de todas as acusações, apontando que os ex-executivos da Odebrecht deram depoimentos contraditórios e inconsistentes.

Palocci já tentou a liberdade, Sergio Moro disse que não concederá o benefício ao acusado. Em outra tentativa no TRF-4, a defesa também entrou com um pedido para tirar o petista da prisão, porém foi negado.

O petista sempre foi muito próximo do ex-presidente Lula [VIDEO], ele atuou como ministro da Fazenda entre 2003 e 2006. Mais tarde, foi colocado como ministro da Casa Civil no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, afastada devido a um processo de impeachment.