Em uma entrevista para o site Sul 21 [VIDEO], a ex-presidente, Dilma Rousseff (PT-MG), fez uma análise a respeito de algumas características da atualidade do que chamam de “golpe”, e faz um grave alerta para os aspectos que chamou de “graves”. Segundo Dilma, é de extrema importância se criar inimigos no momento, na Justiça de exceção se criam a justiça de um inimigo. No caso brasileiro, diz a ex-presidente, são as pessoas negras e pobres que povoam a periferia das grandes cidades, como é reflexo da Intervenção da Força Nacional no RJ, exemplificou Dilma.

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Continua, que as declarações do governo e seus integrantes, se enxerga uma coisa que vem aparecendo: o inimigo fala a mesma língua portuguesa, é um brasileiro, é um negro e é pobre ou moreno.

O inimigo, diz Rousseff, não é branco, não pode morar em Ipanema e muito menos, no Leblon.

Eleições de 2018 e perspectivas de candidatura

Em relação as próximas eleições de 2018, analisando a candidatura do também ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), ela afirma convicta que não há um plano B. Reafirma ainda a ex-presidente que o partido vai resistir em dois momentos. Num momento haverá a defesa da candidatura do ex-presidente Lula. Em um outro momento, continua Dilma, haverá uma defesa da realização dessas eleições. Esses dois momentos seriam os dois lados de uma mesma face. Ela duramente afirma que impedir Lula ou impedir as eleições são um problema deles (ministros e oposição).

O problema do partido (no caso o PT), segundo Dilma, é assegurar a candidatura do Lula e garantir que haverá as eleições presidenciais.

Enquanto há democracia aqui no Brasil, continua ela, o PT sempre ganha. E sempre que que são contidos os processos democráticos, eles perdem. Ainda, Dilma pensa que enquadra a situação igual de 64 [VIDEO], pois, indicaram etapas que abriram em 21 anos de regime militar. Nesse mesmo processo, houve bastante radicalização e muita repressão. A sociedade coagida, reprimida e fechada, o ato que, a ex-presidente, diz ser um “golpe”, foi inaugurando o mesmo processo.

Dilma ainda disse que o ponto importante desse discurso que levou ao que chamou de “golpe”, é dizer que não havia nenhum golpe e defender que a ação era legitima. Nos mesmos moldes que foi o “golpe” de 64, segundo Rousseff, quando adotou a mesma estratégia, ela se lembra bem, quando estava presa e o governo dizia que não havia nenhum preso político. Porém, as cadeias estavam cheias.

Segundo Dilma Rousseff, o “golpe” numa visão mais Política, deu errado. Porque não conseguiu modelar um candidato dentro da visão do conservadorismo clássico, que aplicou esse “golpe”. Ainda afirma, que houve uma reação muito formal ao que chamam de “golpe” e eles também se atingiram com o mesmo ato do “golpe”. E deu o exemplo do PSDB, maior rival do PT, partido da ex-presidente, onde disse, que suas lideranças foram destruídas dentro desse “golpe”. O caso não estava no roteiro, segundo Dilma.