O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, deu discursos fortes para estudantes e também foi ao Senado e à Suprema Corte mexicana falar sobre o combate à Corrupção que colocou o Brasil como exemplo no mundo.

De acordo com as palavras do juiz, a corrupção sempre vai existir, mas as regras contra a impunidade devem ser rompidas. O discurso do juiz foi nesta terça-feira (27) e teve a presença de estudantes de Direito, além de ministros da Corte Suprema do México. Em declarações comoventes, Moro citou a luta contra a corrupção que começou no Brasil e alcançou outros países.

Moro já proferiu várias sentenças e nunca se intimidou com os "poderosos" da política.

Ninguém passou despercebido pelo magistrado, nem doleiros, nem empresários, nem ex-executivos da Petrobras e nem mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que acabou sendo condenado a nove anos e meio pelo juiz e depois teve sua sentença aumentada pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Método de sucesso

Segundo o juiz, a delação premiada foi o ponto-chave para que as investigações conseguissem andar a todo vapor. "Foi muito importante a colaboração de delinquentes confessos", disse o magistrado.

Com a delação foi possível abranger os processos e alcançar um sistema criminoso grandioso dentro da roubalheira dos cofres públicos.

Moro ressaltou a importância de provas e não somente o depoimento. Por essa razão, teve muitos colaboradores que acabaram não firmando acordos com a Justiça já que não tinham como comprovar suas falas.

Em conversas com jornalistas, o juiz revelou os caminhos da Lava Jato [VIDEO] para destruir o pacto de políticos com empresários. Um dos fatores de destaque para o juiz e que ajudou muito a Operação foi a cooperação da Suíça, que entregou várias informações sobre subornos.

Sorte

Sérgio Moro [VIDEO]disse de uma forma comovente que não é fácil enfrentar os "poderosos" e que é preciso um pouco de sorte. A opinião pública foi um fator decisivo para que a Lava Jato não fosse "abafada" por leis criadas com interesses em livrar políticos.

O magistrado ressaltou que as instituições estão mais fortes no Brasil e os criminosos pensam duas vezes antes de cometer atos ilícitos.

O juiz também destacou a ida das multidões às ruas do país, em 2016. Isso pressionou a classe política e o Brasil começou a não aceitar a impunidade.

A atenção deve ser grande, pois os investigados fazem de tudo para não serem alvos da Justiça. "Essa gente é muito poderosa", declarou o juiz.