Desde que o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, deu declarações polêmicas envolvendo o inquérito do presidente da República Michel Temer, os ânimos no Governo estão à flor da pele. As afirmações do chefe da Polícia Federal soaram de forma negativa nos bastidores, colocando em risco a situação de Temer.

Segundo Segovia, não haveria nenhuma prova de crime contra Temer, ele afirmou que não teria indícios de crimes de corrupção aos quais o presidente estaria atrelado.

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O depoimento do diretor-geral deu abertura para especulações de que a Polícia Federal estaria agindo de forma político-partidária e ''protegendo'' Michel Temer das investigações.

Os delegados do Grupo de Inquéritos resolveram ameaçar a PF e enviaram um memorando, afirmando que não irão tolerar nenhum tipo de interferência no inquérito contra Michel Temer. A equipe de delegados se mostrou irritada com as declarações de Segovia e remeteu ameaças à instituição, dizendo que medidas cautelares poderão ser tomadas caso eles sinalizem que há uma ''fraude'' rondando as investigações [VIDEO].

O ofício não cita diretamente Fernando Segovia, mas mostra que entidades ficaram revoltadas com as declarações do diretor. Em entrevista para o portal ''Estadão'', o diretor da Associação Nacional dos Delegados Federais (ADPF), Edvandir Paiva, avaliou que Segovia expôs uma crise de desconfiança na PF.

O inquérito contra Temer poderá revelar ''surpresas'', como uma fraude vinda da PF.

Delegados estão de olho nas investigações do comando da PF e prometem agir rapidamente caso notem algo fora do comum.

Segovia movimenta Supremo Tribunal Federal

As declarações do diretor-geral da PF fizeram com que o ministro Luiz Roberto Barroso intimasse Segovia para uma conversa. A reunião entre os dois irá acontecer nesta próxima segunda-feira, 19 de fevereiro. Questionamentos do ministro deverão ser respondidos, e, o que tudo indica, uma crise interna na Polícia Federal se estabeleceu após a polêmica.

O objetivo de Barroso é entender como Segovia pode ter dito a imprensa que um arquivamento no inquérito contra Temer será possível. Barroso é o relator do processo que tramita na Suprema Corte. Além de intimar Segovia, o ministro pediu para o Ministério Público Federal (MPF) se manifestasse, tomando providências cabíveis sobre o caso.

O inquérito que tramita contra o presidente da República é sobre o Decreto dos Portos. Michel Temer é alvo de acusações de crimes de corrupção [VIDEO]. Durante seu governo, o presidente já se envolveu em diversas polêmicas desde que assumiu o cargo após o impeachment de Dilma Rousseff.