O alto-comando do Exército não está muito contente com as manifestações da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao pedir para o Supremo Tribunal Federal (STF) um desarquivamento do caso de militares que seriam acusados de matar o deputado Rubens Paiva, no regime militar.

Para o Exército [VIDEO], é um fato estranho a procuradora decidir remexer no alcance da Lei da Anistia, já que esse assunto virou página virada pela cúpula do Exército. A manifestação de Dodge só tende a causar uma instabilidade num país que já vive problemas graves de crises políticas.

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Os militares [VIDEO] não conseguem entender o motivo da procuradora-geral buscar esse assunto justamente agora. Uma reunião foi marcada para a próxima semana pelo alto-comando da força terrestre para discutirem esse assunto e tomarem providências.

De acordo com as informações do Estadão, grupos de WhatsApp de militares estão "pegando fogo" com o pedido de Dodge e o assunto promete muita polêmica ainda.

A assessoria da procuradora afirmou que o seu manifesto já está nos autos. Para os generais, o Brasil precisa de união e não desavenças, mas Dodge vai indo pelo caminho contrário ao pedir revisão da Lei da Anistia.

Cinco militares

A ação penal contra os cinco militares acusados de torturarem o deputado ganhou força com a atuação de Dodge. Os militares haviam sido denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2014. Porém, um habeas corpus para os acusados foi autorizado e o caso ficou arquivado. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região voltou a pedir, em setembro de 2014, a retomada da acusação. Os desembargadores afirmaram que os crimes cometidos são considerados contra a humanidade e os acusados devem sofrer punições.

A defesa dos militares recorreu ao STF naquele mesmo ano e conseguiu uma liminar suspendendo a ação penal, com a relatoria do ministro falecido, Teori Zavascki.

Críticas

A atitude da procuradora-geral revoltou o Exército e a reação foi imediata. Através do seu site, os militares criticaram o MPF por serem negligentes em relação aos dados do sistema MyWedDay que foi enviado da Suíça para o Brasil. Nesse sistema, estavam todas as informações do sistema de propina que eram movimentados na construtora Odebrecht.

Os procuradores responsáveis pelo material acabaram perdendo informações importantes e chaves de acesso para entrar no sistema. Isso gerou revolta, já que a Polícia Federal (PF) foi impedida de participar da averiguação desse conteúdo.